Por Matt Spetalnick e Jeremy Pelofsky WASHINGTON (Reuters) - A Coréia do Norte entregou nesta sexta-feira um relatório de suas atividades nucleares que vinha sendo adiado havia bastante tempo, levando o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, a reduzir algumas das sanções aplicadas ao país, que ele já chegou a definir como parte de um eixo do mal.

Bush recebeu com cautela a decisão da Coréia do Norte, que testou um aparato nuclear dois anos atrás, mas alertou o país que arcará com as consequências se não tiver revelado integralmente suas operações e não continuar desmantelando seu programa e instalações nucleares.

'Se a Coréia do Norte fizer escolhas erradas, os EUA e nossos parceiros nas conversações que envolveram seis nações vão responder adequadamente', disse Bush em Washington, logo depois que a declaração norte-coreana foi enviada à China.

Em resposta a uma abertura rara da Coréia do Norte, país comunista fechado, Bush deu um passo adiante removendo a nação da lista de Estados que patrocinam o terrorismo e retirou algumas sanções que haviam sido impostas ao pais com base na Lei do Comércio com o Inimigo.

Tentando evitar as críticas de linha-duras que acusam sua administração de ser suave demais com a Coréia do Norte, Bush e seus assessores deixaram claro que ficará com o governo norte-coreano o ônus de cumprir suas promessas.

Com a impopular guerra do Iraque e o impasse nuclear iraniano sem solução no término de seu mandato, o governo Bush espera que o progresso na questão da Coréia do Norte possa ajudar a salvar o legado da política externa de sua presidência.

Mas as autoridades dos EUA reconheceram que a declaração da Coréia do Norte, feita com seis meses de atraso, está aquém de apresentar uma resposta a todos os temores sobre as ambições atômicas do país, especialmente as atividades de proliferação nuclear do passado.

O consultor nacional de Segurança de Bush, Stephen Hadley, disse que a declaração revela a quantidade de plutônio que a Coréia do Norte produziu, mas não dá detalhes sobre seu estoque de armas nucleares.

Mas ele afirmou que os peritos dos EUA poderiam 'fazer as contas' e essa questão seria discutida numa fase posterior das conversações dos seis países, envolvendo vizinhos da Coréia do Norte que participaram do acordo.

Bush também saudou um anúncio da Coréia do Norte de que vai explodir a torre de esfriamento de Yongbyon, seu principal complexo nuclear. Num gesto sem precedentes, a Coréia do Norte convidou a imprensa ocidental para registrar esse evento.

A Coréia do Norte começou a desmantelar suas instalações nucleares depois de conversações que envolveram a China, Japão, Estados Unidos, as duas Coréias e a Rússia.

'Este não é o fim do processo este é o começo do processo', disse Bush, acrescentando que as atuais ações do governo norte-coreano não porão fim por si só ao isolamento internacional da Coréia do Norte.

Entre outras medidas que ele disse que a Coréia do Norte precisa adotar está a solução de suas diferenças com o Japão em relação a cidadãos japoneses seqüestrados.

(Reportagem adicional de David Morgan e Paul Eckert em Washington, Chris Buckley em Pequim, Susan Cornwell em Kyoto, e Jack Kim em Seul)

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