Coreia do Norte deve atacar novamente, diz Seul

Coreia do Sul e Estados Unidos encerram exercícios militares conjuntos, mas indicam que novas manobras podem ser realizadas

iG São Paulo |

O chefe dos serviços de Inteligência da Coreia do Sul afirmou nesta quarta-feira que é grande a probabilidade de que a Coreia do Norte ataque novamente. A afirmação foi feita horas depois de o governo sul-coreano ter informado que realizaria novos exercícios militares com os Estados Unidos.

Won Sei-hoon,diretor do Serviço Nacional de Inteligência da Coreia do Sul, disse a um comitê parlamentar que os ataques recentes ocorreram em meio a "disputas internas" sobre a sucessão do regime norte-coreano e à piora da situação econômica do país. "Há uma grande possibilidade de que o Norte ataque novamente", disse Won, de acordo com a agência de notícias oficial sul-coreana Yonhap.

AP
Agentes especiais da Coreia do Sul fazem protesto contra o Norte em frente à casa destruída por ataque na ilha de Yeonpyeong

No dia 23 de novembro, a Coreia do Norte atacou a ilha de Yeonpyeong, matando ao menos quatro sul-coreanos - dois deles fuzileiros navais. A área disputada na fronteira das duas Coreias foi palco de vários confrontos entre os vizinhos ao longo de décadas.

Após o ataque, a Coreia do Sul reforçou a segurança no Mar Amarelo, e nesta quarta-feira colocou mísseis terra-ar na ilha de Yeonpyeong. Também já foram instaladas baterias K-9 e um sistema de lançamento múltiplo de mísseis.

Exercícios militares

Nesta quarta-feira, Coreia do Sul e Estados Unidos encerraram exercícios militares conjuntos que duraram quatro dias. Os exercícios contaram com a participação do porta-aviões de propulsão nuclear americano George Washington, dez navios de guerra e 7.300 militares

O coronel da Junta de Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul, Kim Young-cheol, disse que "houve consultas com os EUA para realizar várias rodadas de manobras militares para responder às provocações do inimigo".

Citado pela agência sul-coreana Yonhap, o coronel afirmou que as datas e a dimensão dos exercícios não foram decididas, mas as primeiras manobras adicionais podem acontecer ainda em dezembro. Segundo ele, as manobras navais demonstraram o firme compromisso entre Coreia do Sul e EUA, além de enviar a mensagem de que os aliados responderão com determinação a qualquer provocação norte-coreana.

A Coreia do Norte condenou as manobras conjuntas. Na terça-feira, o Exército sul-coreano anunciou que entre os dias 6 e 12 de dezembro irá realizar, sem parceiros, manobras navais em 29 pontos de suas águas, entre eles uma zona ao sudoeste da ilha de Daecheong, fronteiriça com a Coreia do Norte.

China

Também nesta quarta-feira, o ministro de Assuntos Exteriores chinês, Yang Jiechi, garantiu que a China não tem intenção de "proteger ninguém" na crise das duas Coreias. Yang ressaltou que nos assuntos relacionados à península coreana o país é neutro e "decide sua posição baseando-se nos méritos de cada episódio".

O chanceler destacou que, neste momento, o mais importante é "evitar uma escalada da tensão na península coreana" e pediu que as partes "mantenham calma e atuem com moderação, trabalhando para que a situação volte ao caminho do diálogo e da negociação".

Yang lembrou que a China propôs uma reunião de emergência em Pequim entre as duas Coreias, Estados Unidos, China, Rússia e Japão nos próximos dias. Embora os envolvidos tenham demonstrado ceticismo com a convocação, Yang manteve sua confiança em que a proposta seja aceita e "ajude a melhorar a atual tensão, criando condições para reatar o diálogo de seis lados".

A China é o único aliado político da Coreia do Norte e seu principal fornecedor de ajuda econômica.

Com BBC e EFE

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