Coréia do Norte destrói reator nuclear

A Coréia do Norte destruiu nesta sexta-feira o reator nuclear de Yongbyon para, segundo o governo, demonstrar que o país está disposto a prosseguir com o desarmamento nuclear. As imagens da demolição deverão ser divulgadas em breve, mas testemunhas internacionais presentes no ato já confirmaram que a torre de resfriamento foi demolida.

BBC Brasil |

Para muitos analistas, a medida é vista como um gesto simbólico, pois não significa necessariamente o fim do programa nuclear norte-coreano.

A ação ocorre um dia após a Coréia do Norte ter entregado à China uma declaração descrevendo detalhes do programa nuclear.

Coréia do Norte destrói principal reator nuclear
 Em resposta ao relatório, o presidente dos Estados Unidos George W. Bush, concordou em levantar algumas das sanções e retirar a Coréia do Norte da lista de paises que apóiam o terrorismo.

Bush disse que o processo levará pelo menos 45 dias e só será completado se for constatado que são verdadeiras as informações contidas no documento.

A saída da lista de países que apóiam o terrorismo permitirá à Coréia do Norte receber auxílio de instituições internacionais como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional.

Decisão vergonhosa

Entretanto a atitude não é unânime entre os diplomatas americanos. Para o ex-enviado às Nações Unidas, John Bolton, a decisão é "vergonhosa".

Bolton sugeriu que o acordo era uma capitulação aos norte-coreanos e representava o "colapso final" da política externa da administração Bush.

"A Coréia do Norte recebeu um enorme presente de legitimidade política em troca de uma declaração que nós nem podemos verificar", afirmou Bolton.

Mas segundo Bush, mesmo após a mudança, a Coréia do Norte "continuará sendo uma das nações com maiores sanções no mundo".

Outros analistas, porém, acreditam que as negociações de desarmamento da Coréia do Norte ganharam novo fôlego com os últimos acontecimentos.

As negociações do grupo dos seis países - China, Japão, Estados Unidos, Rússia e Coréia do Sul e Coréia do Norte - estavam em compasso de espera há mais de 16 meses, quando um acordo foi alcançado. No entanto, o acordo não vinha sendo cumprido.

Apesar de terem concordado em trocar auxílio energético e humanitário pelo desarmamento, os norte-coreanos e os outros cinco paises não vinham cumprindo os prazos e entregas como estava previsto.

A Rússia sugeriu aproveitar o bom momento para retomar os encontros muito em breve, possivelmente ainda na próxima semana.

Progresso

Embora analistas afirmem que a destruição do reator em si não é um grande progresso, a ação está recebendo mérito por seu valor simbólico.

A Coréia do Norte concordou em desativar Yongbyon como parte do acordo assinado em fevereiro de 2006.

A entrega do documento listando detalhes do programa também estava prevista no mesmo acordo.

A declaração foi entregue na quinta-feira a diplomatas chineses. Representantes dos outros quatro países também receberam cópias do documento.

O relatório deveria ter sido entregue há pelo menos meio ano atrás e não é sabido ainda se o conteúdo dele satisfará às expectativas das todos os países envolvidos nas negociações.

O documento deve tratar das atividades de produção de plutônio, que já é do conhecimento dos demais países.

Mas o dossiê não abordaria, porém, outros pontos cruciais, como um possível programa de enriquecimento de urânio e detalhes sobre o compartilhamento de tecnologia atômica com países rivais aos Estados Unidos, como a Síria.

"Nós continuamos preocupados com o desrespeito aos direitos humanos na Coréia do Norte, com o enriquecimento de urânio, com o teste e proliferação de armas nucelares, com os programas de mísseis balísticos e a ameaça que isso tudo representa à Coréia do Sul e aos outros vizinhos", concluiu Bush.

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