Coréia do Norte desmente boatos sobre doença de seu líder

Por Jack Kim SEUL (Reuters) - Os meios de comunicação oficiais da Coréia do Norte disseram na quinta-feira serem falsas as notícias recentes sobre o estado de saúde do líder do país, Kim Jong-il. Esses comentários representam as primeiras declarações diretas sobre a suposta doença enfrentada pelo recluso líder.

Reuters |

Autoridades dos EUA e da Coréia do Sul disseram no mês passado que Kim pode ter sofrido um derrame em agosto, levantando dúvidas sobre a única dinastia comunista da Ásia e sobre quem estaria tomando as decisões a respeito do arsenal nuclear da Coréia do Norte.

"As Forças Armadas e o povo da DPRK (Coréia do Norte) preocupam-se mais com o bem-estar de seu amado líder do que com suas próprias vidas e nunca tolerarão nenhuma forma de difamação", afirmou a agência de notícias norte-coreana KCNA.

O jornal japonês Yomiuri Shimbun, o maior do Japão, disse no fim de semana que diplomatas da Coréia do Norte receberam ordens para ficar perto de suas representações e aguardarem por uma "importante mensagem". A publicação especulou que essa mensagem poderia ser um comunicado sobre a saúde de Kim.

A KCNA descreveu como uma "mentira clamorosa" a reportagem do jornal japonês.

Segundo a agência de notícias, nenhuma instrução havia sido enviada aos diplomatas e não havia qualquer plano sobre a realização de um anúncio.

O jornal Sankei Shimbun, também do Japão, publicou uma reportagem de conteúdo semelhante.

"O que merece sérias considerações é que os dois jornais agiram de forma temerária ao deixar à solta um sofisma puro com a intenção de ferir a dignidade da DPRK, falando sobre o 'estado anormal de saúde' do líder máximo da Coréia do Norte", afirmou a KCNA, descrevendo as publicações como "jornais vis."

A saúde de Kim é um dos segredos de Estado mais bem guardados da Coréia do Norte. Os boatos sobre as condições dele intensificaram-se quando o dirigente não aparece na parada militar realizada pelo país em setembro a fim de marcar a fundação do Estado comunista.

Autoridades norte-coreanas presentes em Pyongyang naquele momento teriam dito, segundo a agência de notícias japonesa Kyodo, que Kim estava bem e que as notícias sobre uma doença seriam invenção dos que desejavam prejudicar o país e seu líder.

No começo de outubro, pela primeira vez em 50 dias, meios de comunicação norte-coreanos falaram sobre a presença de Kim em um evento. O líder teria comparecido a um jogo de futebol da liga universitária. Mais tarde, divulgaram fotos dele inspecionando uma unidade militar para mulheres.

As imagens, no entanto, alimentaram ainda mais dúvidas sobre a saúde do dirigente. Segundo especialistas da Coréia do Sul, as fotos pareciam ter sido tiradas alguns meses atrás, antes do dia de agosto em que Kim teria sofrido o derrame.

O presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, disse em uma entrevista publicada na quarta-feira que Kim continuava a controlar a Coréia do Norte e que nada havia mudado.

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