Coreia do Norte desafia o mundo com lançamento de foguete de longo alcance

A Coreia do Norte desafiou neste domingo a comunidade internacional com o lançamento de um foguete de longo alcance, o Taepodong-2, um ato que o presidente norte-americano, Barack Obama, classificou de provocação, que precisa de uma resposta veemente.

AFP |

"É o momento de dar uma resposta internacional forte. A Coreia do Norte deve saber que o caminho da segurança e do respeito nunca será percorrido por meio de ameaças e armas ilegais", afirmou Obama em um aguardado discurso sobre a proliferação de armas nucleares pronunciado em Praga diante de 30.000 pessoas.

Anteriormente, o presidente norte-americano havia se referido ao lançamento como uma "provocação".

"O lançamento hoje de um míssil Taepodong-2 foi uma clara violação da resolução 1718 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que proíbe expressamente a Coreia do Norte de realizar atividades relacionadas a mísseis balísticos", indicou Obama em um comunicado.

Segundo Tóquio, Washington e Seul, o lançamento é uma violação das resoluções adotadas em 2006 pelo Conselho de Segurança da ONU que instavam a Coreia do Norte a "abster-se de qualquer novo teste nuclear ou lançamento de míssil balístico".

O Conselho de Segurança se reunirá às 19h00 GMT (16h00 de Brasília), anunciou a porta-voz do embaixador do México na ONU, Claude Heller, cujo país ocupa a Presidência do Conselho em abril. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, lamentou a decisão norte-coreana porque "vai de encontro aos esforços para promover o diálogo, a paz regional e a estabilidade".

Os Estados Unidos querem "a mais apropriada e forte resposta que for possível" do Conselho de Segurança da ONU, disse neste domingo a embaixadora norte-americana na ONU, Susan Rice.

A Coreia do Norte efetuou o lançamento do foguete, oficialmente para colocar um satélite em órbita, "às 11h30 locais (23h30 de sábado em Brasília)", indicou Kim Eun-hye, porta-voz da Presidência da Coreia do Sul.

O foguete "lançado hoje da Coreia do Norte parece ter passado em direção ao Oceano Pacífico há alguns instantes", depois de ter sobrevoado o Japão, anunciou o centro de controle de crises japonês instalado nos escritórios do primeiro-ministro.

Tanto Estados Unidos como Seul indicaram que o satélite não tinha entrado em órbita, ao contrário do que afirmou Pyongyang.

O satélite "Kwangmyongsong-2, graças ao foguete Unha-2 (também conhecido como Taepodong-2), foi colocado em órbita conforme os projetos nacionais em matéria de desenvolvimento espacial", indicou a agência do regime comunista KCNA, antes de assegurar que o artefato transmitia hinos de glória do regime.

Lançamento de satélite ou teste de míssil, é difícil determinar, já que as duas operações se baseiam na mesma tecnologia.

O lançamento representou um êxito tecnológico parcial, disse o ex-diretor da agência de defesa antimísseis norte-americana Henry Obering.

"Em primeiro lugar, é preciso dizer que tiveram êxito em relação à primeira etapa e foram capazes de controlar o míssil durante o lançamento", explicou o general da reserva norte-americano à rede CNN.

Segundo ele, é "um passo significativo para um programa de mísseis, porque os mísseis perdem sua estabilidade durante os lançamentos".

Ressaltou, por outro lado, que as fases seguintes do voo fracassaram.

Entre as possíveis respostas ao lançamento está a imposição de novas sanções. A Coreia do Norte já é alvo de sanções da ONU, Japão e Estados Unidos.

A Coreia do Sul classificou a ação de "irresponsável" porque "é uma séria ameaça à segurança da península e do mundo".

A União Europeia (UE) o condenou "firmemente", assim como Grã-Bretanha, França, Alemanha, Austrália e Cingapura.

Já a China, aliado tradicional de Pyongyang, fez um apelo à razoabilidade e pediu a todas as partes envolvidas que "mantenham a calma".

A Coreia do Norte, onde até 40% da população precisa de ajuda para comer, já provocou duas crises internacionais em 1998 e em 2006 ao efetuar outros lançamentos de mísseis de longo alcance.

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