Coreia do Norte desafia críticos com 2º teste nuclear

Cecilia Heesook Paek. Seul, 25 mai (EFE).- A Coreia do Norte realizou hoje um segundo teste nuclear bem-sucedido para fortalecer seu poder nuclear dissuasório, anunciou o regime norte-coreano, o que motivou a dura condenação internacional e a convocação do Conselho de Segurança da ONU.

EFE |

As agências meteorológicas sul-coreana, japonesa e americana detectaram, poucos minutos antes das 22h de Brasília de ontem, um tremor de entre 4,5 e 4,7 graus na escala Richter, perto da localidade norte-coreana de Kilju, a 15 quilômetros do local do teste nuclear de 2006.

Pouco depois, a Coreia do Norte confirmou através da agência oficial "KCNA" que tinha realizado um teste nuclear subterrâneo com sucesso e de forma segura, referindo-se a que não detectou vazamentos radioativos.

Coreia do Sul, Japão e EUA não conseguiram confirmar o teste - algo que levou vários dias após o primeiro teste de 2006 -, mas o tremor foi detectado em uma área de baixa atividade sísmica. Apenas a Rússia deu por certa a explosão atômica.

Pyongyang afirmou que melhorou seu poder nuclear e superou anteriores problemas técnicos com este novo teste subterrâneo, que afirmou ter sido de "maior nível em termos explosivos e tecnológicos" em comparação ao de 9 de outubro de 2006.

O Ministério da Defesa russo disse que a detonação parece ter alcançado uma potência de cerca de 20 quilotons, enquanto a explosão de 2006 pode ter chegado a 15 quilotons, levemente superior à intensidade da bomba de Hiroshima.

Segundo a agência sul-coreana "Yonhap", Pyongyang informou antes sobre a explosão subterrânea a China, seu principal aliado e que depois expressou sua "firme oposição" ao teste norte-coreano.

Seul colocou em alerta seus 655 mil efetivos militares, porque a Coreia do Norte disparou também vários mísseis terra-ar de curto alcance da costa oriental do país, perto do lugar do teste, segundo a agência sul-coreana "Yonhap".

Coreia do Sul e Japão criticaram a "grave ameaça" e o "grande desafio" à não-proliferação nuclear deste novo e surpreendente teste, sobre o qual o regime comunista norte-coreano não avisou antes, como fez uma semana antes da prova de 2006.

O Japão pediu à Rússia, que está na Presidência mensal do Conselho de Segurança da ONU, uma reunião urgente, com o objetivo de alcançar uma nova resolução, depois do lançamento de um foguete de longo alcance em 5 de abril, também duramente criticado por Seul, Tóquio e Washington.

A declaração de condenação aprovada pelo Conselho de Segurança em 13 de abril elevou ainda mais as críticas de Pyongyang, que em 29 daquele mês ameaçou ampliar seu poder nuclear dissuasório se as Nações Unidas não pedissem desculpas.

A atual situação questiona a utilidade do diálogo multilateral para o desarmamento da Coreia do Norte (com participação das duas Coreias, Rússia, China, Estados Unidos e Japão) iniciado em 2003 e a efetividade das resoluções do Conselho de Segurança, que não conseguiram frear Pyongyang.

Desde o lançamento de abril e a posterior condenação internacional, o regime norte-coreano aumentou a tensão com seus vizinhos, o que pode motivar uma nova resolução mais firme, como pedem Estados Unidos e seus aliados internacionais, frente à apatia da Rússia e da China.

A evolução dos eventos, muito semelhante à escalada de 2006, começou no ano passado com a chegada ao poder na Coreia do Sul do conservador Lee Myung-bak, que desenvolveu uma linha menos aberta em relação ao regime norte-coreano comparada à de seu antecessor, Roh Moo-hyun.

Agora, a Coreia do Norte enfrenta o dilema da sucessão para liderar o regime de partido único com um líder, Kim Jong-il, com saúde frágil, que - segundo especulações - sofreu um derrame cerebral em agosto do ano passado.

Os analistas acham que Kim Jong-il quer mandar uma mensagem dissuasória ao Governo do presidente americano, Barack Obama, em Washington, e rompe as relações com Seul, que tinham chegado ao apogeu com a visita a Pyongyang de Roh Moo-hyun, em outubro de 2007.

Grupos civis de todas as tendências políticas e os partidos políticos sul-coreanos criticaram hoje o teste nuclear norte-coreano por não respeitar o luto vivido no país após a traumática morte Roh Moo-hyun, informou a agência local "Yonhap".

Roh Moo-hyun, que foi presidente da Coreia do Sul entre 2003 e fevereiro de 2008, suicidou-se no sábado em meio à investigação de um escândalo por causa de supostos subornos milionários durante seu mandato.

Os sul-coreanos qualificaram o teste nuclear de traição, porque o líder norte-coreano Kim Jong-il tinha enviado condolências aos parentes do ex-presidente horas antes de realizar seu teste nuclear.

Os cidadãos sul-coreanos, que desde ontem saíram em massa às ruas para mostrar seu respeito ao ex-presidente em capelas instaladas por todo o país, disseram à imprensa que a Coreia do Sul deve enfrentar com firmeza este segundo teste nuclear norte-coreano. EFE ce-jmr/an

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