Coréia do Norte confirma reativação de reator nuclear

A Coréia do Norte confirmou nesta sexta-feira que pretende reativar o reator nuclear de Yongbyon, que havia se comprometido a desmantelar em cumprimento a um acordo internacional, em represália à recusa dos Estados Unidos de retirar o país da lista de países que apóiam o terrorismo.

AFP |

Um porta-voz do ministério das Relações Exteriores, citado pela agência de notícias oficial do regime norte-coreano Korean Central News Agency (KCNA), destacou que as operações para a reativação do reator começaram "há algum tempo".

"Estamos fazendo preparativos para restaurar os locais nucleares", explicou Hyon Hak-Bong, funcionário da chancelaria do regime comunista.

"Vocês podem dizer que já iniciamos o trabalho para restaurá-lo ao estado inicial", acrescentou à imprensa antes do início de conversações entre representantes das duas Coréias na área neutra de Panmunjon, situada no centro da Zona Desmilitarizada (DMZ), na fronteira entre os dois países.

As negociações começaram, apesar dos problemas a respeito do acordo nuclear multilateral e da incerteza sobre o estado de saúde do líder comunista King Jong-Il.

Após meses de paralisia nas negociações, Pyongyang anunciou no fim de agosto a suspensão do processo de desmantelamento de suas instalações nucleares, que havia sido decidido em um acordo entre seis países (as duas Coréias, China, Estados Unidos, Japão e Rússia).

O governo comunista também havia ameaçado reativar seu principal reator, ante a recusa americana de retirar o país da lista de Estados que apóiam o terrorismo.

"Agora que as verdadeiras cores americanas vieram à luz, a Coréia do Norte já não deseja ser retirada da lista de Estados que 'apóiam o terrorismo' e não espera mais que isto aconteça", disse o porta-voz, citado pela KCNA.

A presença do país na lista impede que a Coréia do Norte receba ajuda americana e bloqueia os empréstimos de organizações internacionais.

Para retirar a Coréia do Norte da relação, Washington exige que Pyongyang aceite um mecanismo completo de comprovação, que inclui inspeções de surpresa das instalações e acesso a mostras de materiais e equipamentos, entre outras medidas.

Porém, a Coréia do Norte considera que esta exigência não está prevista no acordo multilateral e acusa Washington pela paralisia. Hyon afirmou que Pyongyang fez de maneira "perfeita e impecável" 90% do trabalho de desativação.

Em seguida, Hyon Hak-Bong mudou o rumo da entrevista e não deu respostas ao ser questionado sobre a saúde de Kim Jong-il, 66 anos, que é objeto de intensas especulações, já que o ditador não escolheu um sucessor entre os três filhos, o que alimenta temores sobre a estabilidade política da Coréia do Norte.

Kim não participou no dia 9 de setembro das comemorações do aniversário da independência e fontes do governo sul-coreano afirmaram que ele foi operado depois de um derrame, mas que estava em recuperação.

Sean McCormack, porta-voz do Departamento de Estado americano, afirmara no início do mês que os norte-coreanos estavam tomando medidas que poderiam permitir a reativação das instalações do reator nuclear de Yongbyon.

Em resposta às tarefas de desativação, os demais países das negociações multilaterais prometeram ao empobrecido país comunista um milhão de toneladas de combustível ou o equivalente em assistência energética.

Quase metade do combustível já foi entregue e Hwang Joon-Kook, coordenador da delegação sul-coreana, anunciou que o restante será entregue a Pyongyang.

sm/fp

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