Coreia do Norte confirma prisão de jornalistas americanas

A Coreia do Norte confirmou neste sábado a prisão de duas jornalistas americanas, dizendo que elas foram detidas porque entraram ilegalmente no território. A agência de notícias oficial norte-coreana disse que o caso das duas mulheres, presas na terça-feira perto da fronteira com a China, está sendo investigado.

BBC Brasil |

Os Estados Unidos expressaram "preocupação" com o destino das jornalistas Laura Ling, uma americana de origem chineaa e Euna Lee, de origem coreana.

Há relatos de que as duas trabalham para a empresa de mídia Current TV, baseada na Califórnia.

Um intérprete chinês que acompanhava as repórteres também foi preso.

Chun Ki-won, um pastor cristão em Seul que ajudou a organizar a viagem, disse que elas foram para a região para reportar sobre a situação dos refugiados norte-coreanos no território chinês.

Ainda neste sábado, a Coreia do Norte restabeleceu um canal de comunicações militares com a Coreia do Sul que havia sido cortado no início deste mês, informaram autoridades sul-coreanas.

Esta linha de comunicação telefônica é usada para coordenar os movimentos de pessoas e mercadorias através da fronteira entre os dois países.

De acordo as autoridades de Seul, o governo norte-coreano também teria indicado que vai reabrir a passagem na fronteira que dá acesso ao complexo industrial binacional de Kaesong, que fica no Norte.

O canal de comunicações militares havia sido cortado pelo governo de Pyongyang como forma de protesto contra exercícios militares conjuntos entre a Coreia do Sul e os EUA, que começaram em 9 de março e acabam de ser concluídos.

O governo do país comunista viu os exercícios militares como uma espécie de "prelúdio" de uma invasão norte-americana. As manobras aumentaram ainda mais a tensão na península coreana.

Na última quinta-feira, durante uma visita do primeiro-ministro norte-coreano, Kim Yong Il, a Pequim, o presidente da China, Hu Jintao, pediu à Coreia do Norte que volte às negociações sobre o fim de seu programa nuclear.

As negociações de seis partes - que também incluem Coreia do Sul, EUA, Japão e Rússia - pretendem fazer com que Pyongyang aceite desmantelar seu programa nuclear em troca de auxílio internacional.

As discussões, no entanto, estão paradas há meses por causa de uma disputa com os EUA sobre os métodos para verificar as atividades nucleares de Pyongyang.

A tensão na península aumentou depois que o governo comunista anunciou que irá testar um satélite de comunicações no mês que vem. Suspeita-se que o país na verdade esteja preparando o teste de um míssil de longo-alcance.

O governo comunista afirma que qualquer tentativa de derrubar seu "satélite" resultará em uma guerra.

A fronteira entre os dois países foi fechada por diversas vezes desde o início dos exercícios militares de Seul com os EUA.

Os fechamentos impedem que trabalhadores do Sul cruzem a fronteira para se dirigirem ao complexo industrial binacional de Kaensong.

O complexo - onde operam 101 empresas sul-coreanas - emprega 39 mil norte-coreanos e é o último dos projetos binacionais ainda em atividade entre os que foram estabelecidos na primeira conferência de reconciliação entre os dois países, em 2000.

Neste sábado, a porta-voz do Ministério de Unificação da Coreia do Sul, Lee Jong-jo, afirmou que Pyongyang avisou Seul que irá reabrir a passagem para Kaesong.

A Coreia do Sul e a do Norte continuam tecnicamente em guerra desde o armistício da Guerra da Coreia, em 1953.

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