Coreia do Norte confirma detenção de americano por entrada ilegal

Cecilia Heesook Paek. Seul, 29 dez (EFE).- Os Estados Unidos enfrentam um novo conflito com a Coreia do Norte, depois que Pyongyang confirmou hoje que deteve um ativista americano dos direitos humanos por atravessar ilegalmente sua fronteira com a China.

EFE |

É o terceiro cidadão de nacionalidade americana detido pela Coreia do Norte sob essa acusação este ano.

A agência oficial norte-coreana "KCNA" informou hoje que um americano foi detido em 24 de dezembro após entrar ilegalmente na Coreia do Norte através da fronteira com a China, e que está sendo investigado pelas autoridades competentes.

Desta forma, a Coreia do Norte confirmou a detenção de Robert Park, de 28 anos, um missionário e defensor dos direitos humanos de origem coreana, uma informação que já havia sido adiantada na semana passada pela imprensa sul-coreana, que afirmam que a detenção foi no dia 25.

"Sou cidadão americano. Trouxe o amor de Deus. Deus os ama e os abençoa", teria dito o missionário após atravessar a fronteira de forma voluntária, segundo o jornal sul-coreano "JoongAng Ilbo".

O objetivo do missionário era entregar uma carta ao líder norte-coreano, Kim Jong-il, e pedir o fechamento dos campos de trabalho norte-coreanos.

Robert Park é membro de um dos grupos cristãos que condenaram a situação de direitos humanos na Coreia do Norte e tinha dito em Seul que, caso fosse detido na Coreia do Norte, não queria que o Governo americano o libertasse.

Em março, duas jornalistas americanas de origem asiática foram detidas na fronteira norte-coreana com a China enquanto gravavam imagens para um documentário sobre o tráfico de refugiadas norte-coreanas, e posteriormente foram condenadas a 12 anos de trabalhos forçados.

Por fim, a Coreia do Norte as libertou em agosto, graças à mediação do ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton, que viajou a Pyongyang para levar as repórteres para casa.

Em Seul, especula-se que Park poderia ser libertado através de um procedimento semelhante, porque a Coreia do Norte anunciou que ele está sob a mesma acusação de entrada ilegal em seu território.

Mas, ao contrário das jornalistas, que cruzaram a fronteira acidentalmente, o ativista entrou na Coreia do Norte por vontade própria e com uma clara mensagem de denunciar a situação de direitos humanos no regime comunista.

A situação dos direitos humanos é um assunto muito delicado para a Coreia do Norte, por isso não se descarta que a reação de Pyongyang seja mais severa, mas outros analistas sul-coreanos acham que o missionário poderia ser expulso rapidamente, para não causar uma imagem ruim diante da comunidade internacional.

As violações dos direitos humanos na Coreia do Norte foram condenadas em muitas ocasiões por vários países e pelos ativistas, que denunciam torturas, trabalhos forçados e execuções extrajudiciais no país.

Acredita-se que, na Coreia do Norte, há mais de 150 mil prisioneiros políticos em seis campos de trabalho, cuja existência o regime nega.

Este incidente ocorre no momento em que a Coreia do Norte e os EUA tentam retomar as negociações multilaterais para o desarmamento nuclear norte-coreano, com a participação também da China, Japão, Rússia e Coreia do Sul, depois da visita a Pyongyang, no início de dezembro, do enviado especial dos EUA Stephen Bosworth.

Essas negociações estão paralisadas há um ano por decisão do regime norte-coreano, que este ano disparou vários mísseis e realizou seu segundo teste nuclear subterrâneo, em meio aos protestos da comunidade internacional.

Em janeiro, está prevista a viagem a Seul do enviado especial dos Estados Unidos para os direitos humanos na Coreia do Norte, Robert King.

King mostrou sua vontade de viajar à Coreia do Norte para conhecer a situação "in locu", mas o previsível é que sua visita não seja autorizada. EFE ce/an

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