Coréia do Norte avança para um reinício de seu programa nuclear, diz EUA

A Coréia do Norte avança para um reinício de seu programa nuclear, informaram as autoridades americanas nesta sexta-feira.

AFP |

Baseando-se em informações recebidas na véspera, o porta-voz do Departamento de Estado, Robert Wood, "os norte-coreanos continua dando passos para reverter a desativação de algumas das instalações da usina de Yongbyon".

A informação evidencia que a Coréia do Norte não deteve o processo para reativar o reprocessamento de plutônio no complexo do reator nuclear-chave de Yongbyon, nem mesmo quando o enviado dos Estados Unidos, Christopher Hill, esteve em Pyongyang, acrescentou.

Hill retornou nesta sexta-feira a Coréia do Sul, depois de uma viagem a Coréia do Norte, onde realizou uma missão de dois dias para tentar desbloquear o fim do programa nuclear do país comunista.

Hill declarou que manteve conversas "substanciais" durante sua visita à Coréia do Norte destinada a tentar salvar um cambaleante pacto de desnuclearização do país comunista.

Hill não deu maiores detalhes sobre suas discussões em Pyongyang com seu colega Kim Kye-Gwan e outros altos funcionários, limitando-se a ressaltar que foram prolongadas.

O emissário norte-americano também não indicou se haviam sido obtidos progressos em uma questão relativa às inspeções das instalações nucleares norte-coreanas, explicando que antes de fazer comentários queria informar às outras partes a respeito das negociações.

Uma divergência entre Washington e Pyongyang sobre a inspeção das instalações nucleares norte-coreanas amenaça o acordo alcançado em fevereiro de 2007 que levou a Coréia do Norte a fechar suas usinas de tramento de plutônio.

Na semana passada, a Coréia do Norte retirou os lacres e as câmeras de vigilância da central nuclear de Yongbyon e proibiu a entrada de inspetores, segundo informou Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

As autoridades norte-coreanas indicaram ainda que planejavam voltar a introduzir material nuclear na usina de reprocessamento.

O complexo de Yongbyon, 96 quilômetros ao norte de Pyongyang, é a principal instalação nuclear da Coréia do Norte. A central tem um reator de pesquisa com capacidade de cinco megawatts (mw), de modelo soviético, e otrous dois de maior capacidade, mas ambos ainda em construção, além de um centro de tratamento de plutônio.

De acordo com o diretor da Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos (CIA), Michael Hayden, Yongbyon produziu, antes do fechamento em julho de 2007, uma quantidade de plutônio suficiente para fabricar meia dúzia de bombas atômicas.

A Coréia do Norte, que testou sua primeira bomba atômica em outubro de 2006, anunciou em outubro do ano passado que abandonaria o programa nuclear em troca de ajuda energética, dentro de negociações iniciadas em 2003 com cinco países (Estados Unidos, China, Rússia, Coréia do Sul e Japão).

Como prova de boa vontade, as autoridades norte-coreanas desativaram o reator de Yongbyon e demoliram, em junho deste ano, sua torre de esfriamento.

Porém, as discussões travaram em torno da questão das modalidades de verificação das operações de desmantelamento e as autoridades norte-coreanas passaram a ameaçar, em agosto, reativar o reator, como forma de protesto contra a recusa de Washington de retirar o regime de Pyongyang da lista de países que apóiam grupos terroristas.

Sair desta relação abriria ao empobrecido país asiático a porta da ajuda de organismos internacionais e de entidades financeiras americanas.

Porém, os Estados Unidos exigiam que a Coréia do Norte aceitasse previamente um mecanismo completo de verificação, com inspeções de surpresa dos locais e acesso a amostras de materiais e equipamentos.

O governo americano afirmou que a Coréia do Norte deveria reconsiderar sua proibição a inspeções da AIEA e voltar a cooperar com a agência, pois em caso contrário o regime ditatorial leva o país para o isolamento.

spm/fp/cn

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