Cecilia Heesook Paek Seul, 24 nov (EFE).- A Coréia do Norte deu hoje mais um passo em direção a seu isolamento da Coréia do Sul após o anúncio da suspensão a partir de dezembro da conexão ferroviária entre os dois países e do turismo à cidade norte-coreana de Kaesong.

O anúncio, divulgado hoje através da "Agência Central de Notícias", estatal norte-coreana (KCNA), foi confirmado em Seul pelo porta-voz do Ministério da Unificação sul-coreano, Kim Ho-Nyoun.

A linha férrea que pode ser paralisada foi posta em funcionamento em dezembro do ano passado e se tratava da primeira conexão ferroviária regular entre as duas Coréias, desde que foi interrompida a linha de passageiros de Gyeonggi em 1951.

A conexão, que era utilizada unicamente para o transporte de mercadorias produzidas no complexo industrial da cidade fronteiriça norte-coreana de Kaesong, foi uma aposta pela cooperação econômica em um cenário de distensão.

Em meados deste mês, a Coréia do Norte já tinha anunciado o fechamento da fronteira terrestre com o Sul a partir de 1º de dezembro, quando, de acordo com todas as medidas anunciadas, o isolamento do regime comunista com a Coréia do Sul será praticamente total.

Após o último anúncio de Pyongyang, a relação entre as duas Coréias fica praticamente bloqueada, exceto pela colaboração econômica dos dois países no complexo industrial de Kaesong, onde as empresas sul-coreanas empregam mão-de-obra norte-coreana.

Segundo o comunicado da Coréia do Norte, citado pela agência sul-coreana de notícias "Yonhap", as atividades industriais intercoreanas de Kaesong continuarão. No entanto, a nova medida inclui a redução da metade dos residentes sul-coreanos no complexo.

Definitivamente, trata-se de uma restrição quase total da entrada de sul-coreanos na Coréia do Norte através de sua fronteira.

Horas depois da nova medida do Norte, a Coréia do Sul disse que "lamentava seriamente" o anúncio norte-coreano e exigiu que o regime comunista retirasse a medida recém-anunciada.

O porta-voz sul-coreano lembrou ainda que o estabelecimento unilateral deste tipo de restrições viola os acordos alcançados entre as duas Coréias como base para sua reconciliação.

Além disso, Seul exigiu de Pyongyang que seja estabelecido um diálogo com seu vizinho do Sul, enquanto a Coréia do Norte adverte que estas medidas de retaliação são apenas "o primeiro passo" contra a "grave situação criada por Seul".

Atualmente, há um momento de crescente tensão entre os dois países desde a chegada à Presidência sul-coreana do conservador Lee Myung-Bak, que endureceu sua política em relação a Pyongyang e condicionou uma melhora diplomática aos avanços na questão da desnuclearização norte-coreana.

Já Pyongyang acusa sistematicamente Seul de promover uma política de confronto contra seu país.

Além do anúncio das restrições fronteiriças, Pyongyang fechou na semana passada o escritório da Cruz Vermelha entre os dois países e cortou as linhas telefônicas diretas entre eles através da zona desmilitarizada de Panmunjom.

Desde outubro, Pyongyang vem também alertando a Seul contra o envio de panfletos contra sua ditadura comunista por parte de grupos civis sul-coreanos.

Pyongyang chegou inclusive a ameaçar "reduzir a pó" seu vizinho do Sul caso Seul não contivesse o envio destes folhetos, nos quais se fala, entre outros assuntos, de especulações sobre do estado de saúde do ditador norte-coreano, Kim Jong-il.

Estes rumores ganharam força recentemente diante da publicação de vários fotos do líder e da série de medidas de isolamento que o regime comunista planeja impor a partir de 1º de dezembro.

Analistas locais concordam em afirmar que a medida adotada em Pyongyang é mais dura que o previsto e não descartaram uma eventual ruptura total das relações entre as duas Coréias, incluindo o fechamento do complexo industrial de Kaesong, símbolo de reconciliação entre elas. EFE ce/ev/jp

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