A Coréia do Norte entregou nesta quinta-feira a anunciada declaração nuclear sobre seus programas atômicos, informou o ministério chinês das Relações Exteriores.

O presidente americano George W. Bush celebrou com cautela a declaração nuclear da Coréia do Norte e anunciou passos imediatos para a suspensão das sanções contra o país comunista, mas advertiu que Pyongyang deverá cessar por completo as ambições nucleares.

A declaração foi entregue por Choe Jin Su, o embaixador norte-coreano na China, afirma um comunicado divulgado no site do ministério chinês.

O documento da Coréia do Norte sobre materiais nucleares, instalações e programas não deve incluir a lista de armas nucleares, que seria entregue em uma fase posterior das negociações de desarmamento.

"Em 26 de junho, a República Democrática Popular da Coréia (RDPC, Coréia do Norte) submeterá sua declaração nuclear a China, sede das negociações entre os seis (países) que discutiram o acordo", afirmara mais cedo Wu Dawei, principal negociador chinês para o caso nuclear norte-coreano.

"Os Estados Unidos cumprirão sua obrigação de retirar a Coréia do Norte da lista de países que apóiam o terrorismo e revogarão as sanções comerciais", acrescentou Wu em uma entrevista coletiva.

A Casa Branca celebrou a declaração nuclear da Coréia do Norte e assegurou que vai retirar este país da lista de Estados terroristas, mas advertiu que ainda existe trabalho por fazer para que a comunidade internacional suspenda o isolamento da nação comunista.

"Este é um dia positivo, é uma etapa positiva, resta muito por fazer e instauramos um processo para que isto aconteça de maneira verificável", disse Bush à imprensa na Casa Branca.

Bush anunciou a suspensão das disposições da lei que proíbe o "comércio com o inimigo" e a notificação em breve ao Congresso da intenção de retirar a Coréia do Norte da lista de Estados terroristas.

No entanto, as medidas terão pouco efeito sobre o isolamento diplomático e financeiro da Coréia do Norte, advertiu, porque seguirão em vigor muitas outras sanções americanas e internacionais.

Bush disse ainda que a Coréia do Norte deve se ater aos demais compromissos assumidos nas negociações para o fim de seu programa nuclear e que acontecerão outras conseqüências se isto não for verificado.

Além disso, Bush alertou a Coréia do Norte que os Estados Unidos não esquecerão os seqüestros de japoneses pelos serviços secretos norte-coreanos nos anos 70 e 80.

"Os Estados Unidos levam muito a sério o assunto do seqüestro. Esperamos que os norte-coreanos solucionem este assunto de forma positiva para os japoneses", disse.

Em visita ao Japão, a secretária de Estado Condoleezza Rice afirmou esperar que a Coréia do Norte autorize a entrada de especialistas no seu reator nuclear, para verificar a veracidade da declaração apresentada pelo país asiático.

Rice disse que, apesar da entrega da declaração com os detalhes do programa nuclear norte-coreano, os Estados Unidos continuam preocupados pelas suspeitas de violação da política de não-proliferação pelo regime de Pyongyang.

"Nós esperamos que (os peritos) entrem no coração do reator e no grande reservatório de resíduos radioativos", disse Rice.

A comunicação do programa nuclear norte-coreano é "um bom passo adiante" mas continuam existindo "questões sobre o urânio altamente enriquecido" e sobre a proliferação, disse a chefe da diplomacia americana.

Os Estados Unidos acusaram este ano a Coréia do Norte de ter vendido tecnologia nuclear para a Síria e de desenvolver um programa secreto de enriquecimento de urânio.

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