Coreia do Norte aposta em diálogo com EUA sobre programa nuclear

Seul - A Coreia do Norte apostou hoje em um diálogo bilateral direto com os Estados Unidos para a desnuclearização do país, em substituição das conversas de seis lados, que incluem países como Japão, Coreia do Sul e China.

EFE |

O Ministério de Exteriores norte-coreano disse que pode haver uma nova forma de diálogo nuclear "específico", em referência a essas eventuais conversas com os EUA, e reiterou sua rejeição às conversas multilaterais, que estão estagnadas desde 2008.

"Há uma forma específica e reservada de diálogo para solucionar a atual situação", informou o ministério norte-coreano em comunicado, segundo informou a agência oficial "KCNA".

As declarações de Pyongyang acontecem depois que o embaixador da Coreia do Norte nas Nações Unidas, Sin Sun-ho, sugerisse na sexta em Nova York que o país estaria disposto a iniciar um diálogo com o Governo de Barack Obama.

A Coreia do Norte reiterou hoje sua decisão de não retomar o diálogo de seis lados.

O país justificou sua atitude pela aprovação de sanções da ONU contra o lançamento "com fins pacíficos" de seu foguete de longo alcance em abril, feito com que, segundo Pyongyang, derrubou os princípios de respeito à soberania e à igualdade desse diálogo nuclear.

O processo de seis lados, aberto em 2003, está estagnado desde dezembro de 2008, devido a uma falta de consenso sobre a verificação do processo de desnuclearização de Pyongyang.

Em abril, a Coreia do Norte anunciou que abandonava as negociações em protesto contra a condenação da ONU ao lançamento desse foguete, que encobriria, segundo alguns analistas, um míssil de longo alcance.

Outros países participantes do diálogo nuclear - EUA, China, Japão, Rússia e Coreia do Sul - afirmam que a reunião de vários lados é a forma ideal para pôr fim às ambições nucleares do regime comunista.

Em entrevista este domingo à emissora americana "NBC", a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, assegurou que a reunião de seis lados é a forma apropriada para a desnuclearização norte-coreana e pediu a Pyongyang para voltar à mesa de negociações.

O Governo japonês reiterou hoje que a desnuclearização norte-coreana deve ser negociada no processo de seis lados, mas aceitou a possibilidade de outras formas de diálogo sempre e quando ocorrerem nesse marco multilateral.

A Coreia do Sul também pediu à Coreia do Norte um retorno em breve à reunião de seis lados, porém explicou que o Governo não se opõe a um diálogo direto entre Pyongyang e Washington se ocorrer em estreita coordenação com Seul.

Esta é a primeira vez que a Coreia do Norte sugere um diálogo direto com os EUA desde que Barack Obama assumiu a Presidência, em janeiro.

Desde então, o país comunista não retrocedeu em suas provocações, incluindo um segundo teste nuclear em 25 de maio, que foi seguido do lançamento de vários mísseis de curto alcance.

O Conselho de Segurança da ONU aprovou em 12 de junho uma nova resolução contra o regime norte-coreano que amplia o embargo de armas e o bloqueio de ativos à Coreia do Norte, além de autorizar a inspeção de navios e aviões suspeitos de transportar armamento para Pyongyang.

Na semana passada os países-membros que participaram do fórum regional da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) se somaram ao pedido das nações do diálogo a seis para que Pyongyang retorne às negociações multilaterais.

Os analistas sul-coreanos não descartam que os EUA iniciem esse diálogo direto com Pyongyang para negociar a libertação de duas jornalistas americanas que estão detidas na Coreia do Norte desde 17 de março e foram condenadas a 12 anos em campos de trabalho.

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