Cecilia Heesook Paek Seul, 26 ago (EFE).- A Coréia do Norte anunciou hoje que interrompeu seu processo de desnuclearização por causa da recusa dos Estados Unidos de retirar o país comunista da lista de nações terroristas, medida que Pyongyang considera uma clara violação do acordo que iniciou o processo.

Segundo a agência "Yonhap", um porta-voz do Ministério de Exteriores norte-coreano anunciou em comunicado que Pyongyang decidira interromper a desnuclearização e informou tal decisão aos países envolvidos no diálogo de seis lados: Coréia do Sul, Rússia, China, Japão e EUA.

No comunicado, a Coréia do Norte ameaça reativar o reator de sua principal instalação nuclear, a central de Yongbyon, e cita pedidos de diversos corpos da administração norte-coreana que estão "preocupados" com a situação.

O processo estava bloqueado há algumas semanas, após a entrega da Coréia do Norte de um relatório com informações sobre seu potencial nuclear junto com uma exigência do diálogo de seis lados em troca de ajuda econômica e da retirada do regime comunista da lista de países terroristas.

O presidente dos EUA, George W. Bush, que no primeiro momento anunciou a retirada da Coréia do Norte da lista, deixou vencer o prazo para tomar esta medida, 11 de agosto, e a adiou até que Pyongyang aceite a verificação da informação entregue.

Pyongyang argumenta que o acordo assinado em 3 de outubro do ano passado não menciona a verificação como um passo imprescindível.

O regime comunista considera que já deu passos significativos, como a própria entrega deste relatório, que os EUA consideram incompleto, e a demolição televisionada da torre de refrigeração da central de Yongbyon.

Analistas sul-coreanos citados pela "Yonhap" dizem que este anúncio da suspensão da desnuclearização parece ser uma demonstração de força para pressionar os EUA e não uma forma de romper definitivamente as negociações.

Apesar do avanço lento do processo e de Pyogyang não ter cumprido os prazos em fases anteriores, estes atrasos e tropeços foram freqüentes desde 13 de fevereiro do ano passado, quando os países do diálogo de seis lados deram o primeiro passo em direção à desnuclearização.

Atualmente, a Coréia do Norte está imersa em uma crise econômica e de alimentos que ameaça milhões de norte-coreanos e pressiona as classes dirigentes a encontrarem medidas que amenizem a situação.

Apesar de Bush ter anunciado, em junho, a retirada da Coréia do Norte da lista de países terroristas - o que não agradou a outros membros do diálogo de seis lados, como o Japão -, o presidente deixou claro em sua última visita a Seul, no início deste mês, que a verificação é imprescindível antes de tomar alguma decisão.

Segundo a "Yonhap", o Governo americano propôs na semana passada à Coréia do Norte um detalhado método para verificar as atividades nucleares norte-coreanas e pediu uma rápida resposta por Pyongyang, durante uma reunião em Nova York com o embaixador norte-coreano na ONU.

Neste encontro, o diplomata norte-coreano afirmou que dará uma resposta após discutir a proposta de Washington com as autoridades de Pyongyang.

Aparentemente, a proposta americana contém um mecanismo que permite a verificação completa e correta, inclusive a do programa de enriquecimento de urânio e a da cooperação nuclear com a Síria, da qual Washington acusa Pyongyang.

O anúncio de Pyongyang de hoje poderia ser a resposta negativa à proposta americana. EFE ce/fh/fal

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