Coréia do Norte anuncia fechamento da fronteira com a Coréia do Sul

Cecilia Heesook Paek. Seul, 12 nov (EFE).- A Coréia do Norte anunciou hoje o fechamento em dezembro de sua fronteira com a Coréia do Sul, em protesto contra a gestão do Governo conservador de Seul e em meio a crescentes especulações sobre o estado de saúde do líder norte-coreano, Kim Jong-il.

EFE |

Em comunicado enviado a Seul, o regime norte-coreano comunicou hoje oficialmente sua decisão de "restringir e cortar todas as passagens por estrada da linha de demarcação militar" que liga os dois países a partir de 1º de dezembro.

Pyongyang alega que Seul levou o confronto contra seu país a um "nível perigoso", apesar de suas reiteradas advertências.

Este gesto de Pyongyang ocorre no momento em que os rumores sobre a doença do líder norte-coreano, Kim Jong-il, tornam-se mais intensos.

Fontes da espionagem americana afirmam que Kim Jong-il já teve dois derrames cerebrais e que está com tem o braço e a perna esquerdos paralisados, uma situação de fragilidade no topo da pirâmide de poder norte-coreana que poderia ter conseqüências imprevisíveis.

As autoridades sul-coreanas reagiram hoje mesmo ao anúncio de Pyongyang e advertiram que um fechamento da fronteira teria "efeitos negativos" se a medida, que consideram "lamentável", chegar a se concretizar.

Esta dureza no tom da reação está em sintonia com a postura de Seul em relação à Coréia do Norte desde a chegada ao poder do atual presidente sul-coreano, Lee Myung-bak.

O conservador Lee assumiu a Presidência sul-coreana em fevereiro, com o anúncio de uma política dura em relação ao regime da Coréia do Norte enquanto esse país não renunciar a seu programa de armas nucleares.

Com a chegada de Lee ao Governo, as relações entre as duas Coréias sofreram um forte golpe.

O mal-estar expressado hoje por Pyongyang se deve a que os norte-coreanos consideram que Lee rompeu "abertamente" os acordos alcançados entre as duas partes durante as históricas cúpulas intercoreanas realizadas em 2000 e 2007, que iniciaram a reconciliação bilateral.

Dias antes, a Coréia do Norte já vinha lançando agressivas ameaças contra Seul, ao considerar uma provocação a difusão de propaganda anticomunista por grupos civis sul-coreanos.

O grupo Lutadores para a Libertação da Coréia do Norte começou em 2004 o envio em massa de panfletos de propaganda contra o regime comunista, mas as duas Coréias tinham decidido interromper estas práticas, como parte do processo de reconciliação aberto em 2000.

A organização, que reúne refugiados norte-coreanos e parentes dos pescadores sul-coreanos seqüestrados por Pyongyang em décadas passadas, afirma ter enviado 10 milhões de panfletos de propaganda nos últimos cinco anos.

Os foletos são enviados mediante balões com grandes sacolas de plástico nas quais são injeta hélio e são lançados desde a fronteira que separa a ambos países desde 1953.

A atividade do grupo se intensificou recentemente, até alcançar o número de 100 mil folhetos neste mês.

O folheto da propaganda, feito com material impermeável, inclui uma cédula de US$ 1 ou de 10 iuanes que, segundo o representante da organização, é uma ajuda para os norte-coreanos que encontrarem.

Segundo a organização US$ 1 é o salário meio mensal de um trabalhador norte-coreano.

"O povo norte-coreano vive enganado por seu regime ditatorial e nosso objetivo é mostrar-lhe a realidade", disse à Efe Park Sang-hak, representante da organização.

Park fugiu da Coréia do Norte em 2000 e afirma que o folheto de propaganda que encontrou antes de sua fuga serviu para percebesse a realidade norte-coreana, além de dar informações úteis para sua fuga.

O texto dos folhetos critica Kim Jong-il, a tragédia econômica vivida no país e sugere que a saída para a situação atual é a derrubada do regime. EFE ce-fab/an

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