Coreia do Norte ameaça Coreia do Sul por manobra com munição real

Regime de Pyongyang diz que retaliará se Seul mantiver planos de exercícios militares em ilha bombardeada em novembro

iG São Paulo |

A Coreia do Norte ameaçou nesta sexta-feira retaliar com uma resposta militar caso a Coreia do Sul mantenha seus planos de realizar exercícios com munição de artilharia real na ilha de Yeonpyeong, bombardeada no fim de novembro pelos norte-coreanos , anunciou a agência oficial KCNA.

"Um segundo e um terceiro ataque de autodefesa, imprevisíveis, serão lançados caso o Sul concretize os exercícios com tiros reais que pretende executar entre sábado e terça-feira", advertiu o Exército norte-coreano. "A intensidade e o alcance do poder de fogo serão mais sérios que os de 23 de novembro", completa o comunicado da KCNA.

AP
Marines sul-coreanos caminham sob neve na ilha de Yeonpyeong, na Coreia do Sul
A Coreia do Sul anunciou na quinta-feira que executará exercícios de artilharia com disparos reais na ilha de Yeonpyeong, localizada em uma zona disputada do Mar Amarelo. As manobras acontecerão entre sábado e terça-feira em função das condições meteorológicas, destacou o Estado-Maior sul-coreano.

Esses serão os primeiros exercícios na ilha desde o bombardeio, que deixou quatro mortos e 18 feridos. Segundo Pyongyang, o ataque foi uma resposta aos exercícios de tiro de Seul na ilha.

O Exército sul-coreano não reagiu no momento às novas ameaças do Norte, mas o ministro da Defesa deu a entender que os exercícios serão realizados como previsto.

Pyongyang também advertiu, como geralmente faz, sobre o perigo de um conflito nuclear no caso de uma nova guerra entre as duas Coreias, segundo o site norte-coreano Uriminzokkiri. "Por causa da atitude belicosa e irresponsável da Coreia do Sul, a questão não é saber se haverá paz ou guerra na Península Coreana, e sim quando explodirá a guerra", disse.

Os esforços diplomáticos se multiplicam para tentar acalmar as tensões. O secretário de Estado adjunto James Steinberg terminou nesta sexta-feira uma missão de três dias na China, por onde transitou Bill Richardson, outro emissário americano, que partiu na véspera para Pyongyang.

O governo dos EUA já manifestou o temor uma possível escalada entre Pyongyang e Seul. "O que nos inquieta obviamente é que, se a Coreia do Norte observar uma oportunidade para obter um benefício e responder aos disparos, isso pode potencialmente desencadear uma reação em cadeia", declarou o chefe adjunto do Estado-Maior americano, general James Cartwright.

Em um comunicado do Ministério das Relações Exteriores, a Rússia pediu à Coreia do Sul que desista das manobras militares. "A chancelaria pede à República da Coreia que renuncie de efetuar os disparos de artilharia previstos, para evitar uma escalada das tensões na península", declarou a diplomacia russa.

*Com AFP

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