A Coreia do Norte disparou nesta quinta-feira quatro mísseis de curto alcance em sua costa leste, aumentando a tensão internacional, no momento em que uma delegação americana negocia na China a aplicação das sanções para pressionar Pyongyang.

"Parece que são mísseis terra-mar, que foram lançados para o Mar Oriental (Mar do Japão)", declarou à AFP uma fonte militar sul-coreana, ao comentar o lançamento dos primeiros dois projéteis.

O primeiro míssil foi disparado às 17H20 locais (5H20 de Brasília) e o segundo às 18H00 (6H00) de uma base próxima do porto de Wonsan, segundo o ministério sul-coreano da Defesa.

A Coreia do Norte anunciou na quarta-feira que realizaria manobras militares durante julho, e pediu ao Japão que não se aproximasse de suas costas no período.

Esta é a primeira ação militar do país comunista desde que o Conselho de Segurança da ONU impôs sanções mais severas em 2 de junho, em função do teste nuclear de 25 de maio.

O primeiro-ministro do Japão, Taro Aso, afirmou que os disparos norte-coreanos são um ato de provocação, segundo a agência japonesa Jiji.

"Advertimos repetidas vezes que estes atos de provocação não beneficiam os interesses nacionais da Coreia do Norte", declarou Aso.

Em Pequim, uma delegação americana liderada por Philip Goldberg, funcionário do Departamento de Estado, se reuniu com autoridades chinesas para examinar a aplicação das sanções da ONU.

O apoio da China, único aliado importante da Coreia do Norte e seu principal parceiro comercial, é considerado crucial para que as sanções surtam efeito.

Goldberg não comentou a opinião da China e falou apenas sobre a postura de seu país: "A posição dos Estados Unidos é que nós queremos que os diversos aspectos das resoluções funcionem. Nossa intenção é aplicar plenamente as resoluções".

A China, que defende a diplomacia ao invés da força para lidar com a Coreia do Norte, informou que o principal emissário para a questão nuclear norte-coreana, Wu Dawei, está em viagem por Rússia, Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul.

O regime comunista disparou um míssil de longo alcance em 5 de abril e realizou um segundo teste nuclear em 25 de maio, antes de disparar vários mísseis de curto alcance, o que provocou protestos da comunidade internacional e a imposição de novas sanções por parte da ONU.

A resolução 1874 adotada em 12 de junho pelo Conselho de Segurança da ONU reforçou o sistema de inspeção de carga aérea, marítima e terrestre para ou a partir da Coreia do Norte, incluindo em alto-mar, e uma ampliação do embargo às armas.

As autoridades norte-coreanas reagiram com o anúncio de que o país nunca renunciaria às ambições nucleares e ameaçaram utilizar seu plutônio com fins militares.

Segundo o jornal sul-coreano JoongAng Ilbo, a Coreia do Norte pode testar nos próximos dias outros mísseis de curto alcance.

Washington anunciou acreditar na possibilidade de um disparo de míssil de longo alcance norte-coreano em direção ao Havaí, provavelmente em 4 de julho, dia da independência dos Estados Unidos.

Fontes de inteligência americanas e sul-coreanos acreditam que o líder norte-coreano, Kim Jong-Il, 67 anos, que tem graves problemas de saúde, realiza uma demonstração de força para fortalecer sua autoridade e garantir a sucessão no poder, que ficaria com seu filho mais novo.

lim/fp

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.