Coreia do Norte aceita negociações com Coreia do Sul

A Coreia do Norte aceitou nesta sexta-feira iniciar negociações com a Coreia do Sul, em um momento tenso na região após o teste nuclear norte-coreano de 25 de maio, indicaram autoridades sul-coreanas.

AFP |

A Coreia do Norte aceitou que as discussões sejam realizadas na próxima quinta-feira no complexo industrial fronteiriço de Kaesong, segundo o Ministério sul-coreano da Unificação, encarregado das relações intercoreanas.

As negociações serão concentradas na questão do complexo industrial de Kaesong, financiado por Seul e aberto em 2005, segundo o ministério.

Criado para simbolizar a reconciliação das duas Coreias, esse parque industrial emprega mais de 38.000 norte-coreanos, que trabalham para dezenas de empresas do Sul que geram a cada mês milhões de dólares em bens manufaturados (roupas, calçados, bolsas, utensílios de cozinha, etc.).

No mês passado, a Coreia do Norte anunciou o cancelamento de todos os seus contratos com as empresas sul-coreanas em Kaesong, colocando-as sob risco falência, segundo seu porta-voz.

A Coreia do Sul indicou que a questão do destino de um sul-coreano, detido em Kaseong desde 30 de março, por ter, segundo Pyongyang, criticado o regime norte-coreano, deveria ser discutida antes de qualquer outra negociação.

Para Kim Yong-hyun, especialista em Coreia do Norte na Universidade Dongguk de Seul, o fato de ter aceitado as discussões "não significa que a Coreia do Norte esteja preparada para diminuir a pressão em suas relações com a Coreia do Sul".

Durante essas discussões previstas para a próxima semana, o Norte "poderá fazer propostas unilaterais e se recusar a abordar o destino do sul-coreano detido em Kaesong", de acordo com Kim.

Para especialistas, a Coreia do Norte poderá também utilizar os dois jornalistas americanos julgados na quinta-feira por terem entrado "ilegalmente" em território norte-coreano como moeda de troca com os Estados Unidos.

A Coreia do Norte manteve-se em silêncio nesta sexta-feira em relação ao destino dos dois jornalistas detidos no dia 17 de março.

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