Coréia do Norte aceita desarmamento em troca de ajuda

Por Chris Buckley PEQUIM (Reuters) - A Coréia do Norte deseja levar adiante seu desarmamento nuclear se seus pedidos de ajuda forem atendidos, ao mesmo tempo em que atenuou as preocupações sobre possíveis lançamentos de mísseis, disse um ex-diplomata sênior norte-americano que acaba de retornar de Pyongyang neste sábado.

Reuters |

Pyongyang, que pode estar prestes a testar seu míssil de maior alcance Taepodong-2 na tentativa de atrair a atenção do novo presidente norte-americano Barack Obama, disse ter o direito de fazer o lançamento.

Stephen Bosworth, ex-embaixador norte-americano na Coréia do Sul e atualmente reitor da escola de diplomacia Fletcher na Universidade Tufts, disse que autoridades norte-coreanas de primeiro escalão que ele encontrou em sua visita de cinco dias a Pyongyang não confirmaram nem negaram quaisquer planos de lançamento de mísseis.

"Eles disseram que deveríamos todos esperar para ver", disse ele sobre a possibilidade de lançamentos. "Não houve nenhuma ameaça ou indicação de que estão preocupados. Trataram a questão dos mísseis como mais um assunto corriqueiro".

As autoridades norte-coreanas disseram ao grupo de Bosworth, composto por sete acadêmicos e ex-oficiais norte-americanos, que seu país deseja progredir nas conversações de desarmamento que mantém com seis outros países, emperradas pelas discussões sobre as obrigações da Coréia do Norte e suas exigências por mais carregamentos de combustíveis.

No que poderia ser visto como uma justificativa para um teste de mísseis, o jornal do partido comunista norte-coreano disse que "nosso país, como membro da comunidade internacional, tem o direito de visitar o espaço e competir pela tecnologia da ciência espacial".

O empobrecido país do norte alegou que o Taepodong-2, que falhou e se destruiu segundos após seu último teste em 2006, é o coração de seu programa espacial. Especialistas disseram que o míssil tem fins unicamente militares e foi desenvolvido para ser capaz de eventualmente atingir o território norte-americano.

Peritos em proliferação disseram que a Coréia do Norte, que testou um artefato nuclear em outubro de 2006, não possui a tecnologia para miniaturizar uma arma nuclear e montá-la em uma ogiva nuclear.

Bosworth disse aos repórteres no aeroporto de Pequim: "Concluímos que parece ser possível continuarmos a trabalhar para uma eventual desnuclearização da península coreana".

"Eles entendem que o governo Obama vai precisar de algum tempo para tomar pé das políticas norte-coreanas e demonstraram paciência. Não há sinais de alarme ou urgência".

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