Por Jon Herskovitz SEUL (Reuters) - A Coreia do Norte começou a colocar combustível no foguete que pretende lançar a partir deste fim de semana, segundo a emissora CNN, enquanto os Estados Unidos e seus aliados ameaçaram impor novas punições ao país por supostamente violar sanções da ONU.

Coreia do Sul, Japão e Estados Unidos consideram que o lançamento na verdade disfarça um teste com o míssil de longo alcance Taepodong-2, capaz de atingir o território norte-americano.

O uso do míssil violaria sanções da ONU em vigor desde um teste anterior, em 2006. Pyongyang diz que seu objetivo é colocar em órbita um satélite de comunicações, como parte de um programa espacial pacífico.

A emissora norte-americana citou na quarta-feira uma fonte militar de alta patente dos EUA segundo a qual a Coreia do Norte começou a abastecer o foguete, que poderia estar pronto para ser lançado dentro de três ou quatro dias.

O lançamento do foguete, que a Coreia do Norte diz que ocorrerá entre os dias 4 e 8, cria uma sombra sobre a cúpula do G20 em Londres.

O Japão mobilizou navios com interceptadores de mísseis na rota do foguete, que passa sobre o arquipélago, e promete abater eventuais destroços que caiam dos seus motores sobre seu território.

A Coreia do Norte, que já fez numerosas ameaças relativas ao lançamento, elevou ainda mais o tom da sua retórica contra Tóquio.

"Se o Japão 'interceptar' imprudentemente o satélite com propósitos pacíficos da RDPC (sigla oficial da Coreia do Norte), o Exército Popular coreano irá impor de modo inclemente golpes letais não só contra os meios de interceptação já mobilizados, mas contra alvos importantes", disse um porta-voz por intermédio da agência oficial de notícias KCNA.

O Norte mobilizou seus caças mais novos para uma base próxima ao local do lançamento, Musudan-ri, preparando-se para eventuais contingências, disse o jornal sul-coreano Chosun Ilbo citando fontes do governo em Seul.

Esse será o primeiro grande desafio para o governo de Barack Obama no trato com o regime norte-coreano, que mantém relações tensas com Washington devido ao seu programa de armas nucleares.

Em Londres, na quarta-feira, uma fonte oficial dos EUA disse sob anonimato que Washington deve levar a questão do lançamento norte- coreano ao Conselho de Segurança da ONU.

Mas qualquer tentativa de punir a Coreia do Norte deve enfurecer Pyongyang, que também ameaça abandonar as negociações de desarmamento nuclear e retomar as atividades de uma usina capaz de produzir plutônio para armas atômicas, caso sofra novas sanções da

ONU.

Analistas dizem, no entanto, que a China, com quem a Coreia do Norte tem uma relativa proximidade política, impediria a adoção de novas sanções ou o endurecimento das atuais. Pequim tem poder de veto no Conselho de Segurança.

(Reportagem adicional de Jack Kim, Kim Junghyun e Park Jung-youn, em Seul, Isabel Reynolds, em Tóquio e Caren Bohan, em Londres)

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