A Coreia do Norte anunciou nesta terça-feira que vai abandonar as negociações entre seis países e reativar seu programa nuclear, em uma reação à condenação pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas pelo disparo de um míssil de longo alcance.

Pyongyang "rejeita firmemente" e considera um "insulto insuportável" contra seu povo a decisão do Conselho de Segurança, afirma o ministério norte-coreano das Relações Exteriores, citado pela agência oficial KCNA.

"As discussões a seis (Coreia do Sul, Coreia do Norte, Japão, Estados Unidos, China e Rússia) não têm mais razão de ser", destacou o ministério.

"Nós não participaremos nunca mais destas discussões e não nos consideramos obrigados por qualquer decisão adotada durante estas tratativas".

Pyongyang também decidiu reativar suas instalações atômicas, devido à decisão da ONU: "Vamos adotar as medidas necessárias para reabrir nossas usinas nucleares desativadas (...) e reintroduzir os bastões de combustível nuclear nos reatores experimentais", destacou o ministério.

O regime comunista afirma ainda que "vai reforçar seu poder de dissuasão nuclear para garantir sua defesa por todos os meios".

O Conselho de Segurança condenou na segunda-feira o lançamento do míssil efetuado recentemente pela Coreia do Norte e reforçou o regime de sanções contra o país.

Segundo o texto, China, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha e Rússia (os cinco membros permanentes) e Japão "condenam" o lançamento do míssil balístico efetuado por Pyongyang, no dia 5 de abril, e afirmam que está "em contravenção com a resolução 1718 do Conselho, que proíbe a Coreia do Norte de realizar qualquer teste nuclear, ou lançamento de míssil".

China, Rússia e Japão pediram para a Coreia do Norte permanecer na mesa de negociações. Pequim solicitou ainda calma e moderação a todas as partes.

O governo dos Estados Unidos ainda não reagiu ao anúncio norte-coreano.

No disparo de 5 de abril, várias fases do foguete sobrevoaram o arquipélago japonês antes de cair no Oceano Pacífico.

O governo norte-coreano afirma que o lançamento foi pacífico e permitiu colocar em órbita um satélite de telecomunicações. Mas Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul consideraram que o mesmo foi o lançamento de um míssil de longo alcance, que violou as resoluções da ONU.

"Segundo a lógica americana, o Japão pode lançar um satélite porque é um aliado, mas nós não temos o direito de fazer o mesmo porque temos um sistema diferente e não estamos submetidos aos americanos", afirma a nota da chancelaria norte-coreana.

"O Conselho de Segurança da ONU simplesmente sucumbiu à lógica de gângster americana", completa o texto.

As negociações sobre o programa nuclear norte-coreano iniciadas em agosto de 2003 pretendem obter do regime comunista a renúncia às ambições nucleares, em troca de uma ajuda energética.

Em 2007, a Coreia do Norte aceitou desmantelar os programas nucleares em troca de ajuda energética e de concessões diplomáticas.

No entanto, as negociações, que não impediram que os norte-coreanos ignorassem os compromissos e realizassem um teste atômico em outubro de 2006, estão bloqueadas há vários meses.

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