Coreia do Norte abandona conversas e retoma fábrica de plutônio

Por Jon Herskovitz SEUL (Reuters) - A Coreia do Norte anunciou na terça-feira sua intenção de abandonar as negociações internacionais para o seu desarmamento e de retomar as atividades de uma fábrica de plutônio altamente enriquecido, depois de ser criticada na ONU por causa do recente lançamento de um foguete.

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O Conselho de Segurança da ONU declarou na segunda-feira que Pyongyang violou no dia 5 a proibição do teste de mísseis de longo alcance, e exigiu uma implementação mais rígida das sanções já em vigor contra o país.

Em nota, a chancelaria norte-coreana disse que a ação da ONU e as negociações nucleares envolvendo cinco outros países violam a sua soberania, e que o país "jamais participará novamente das negociações nem (...) se limitará por qualquer acordo das negociações a seis partes".

A declaração, transmitida pela agência oficial de notícias KCNA, disse que a Coreia do Norte irá "fortalecer a sua dissuasão nuclear para autodefesa de todas as formas" e que considerará ativamente a construção do seu próprio reator de água-leve, além de "ressuscitar instalações nucleares e reprocessar cápsulas de combustível usado".

A Coreia do Norte começou há um ano a desmantelar o seu antigo reator de Yongbyon, como parte do processo de desarmamento pelo qual EUA, Rússia, Japão, China e Coreia do Sul ofereciam ajuda econômica em troca do desarmamento nuclear do país. O regime comunista está sob sanções da ONU desde 2006, por causa de um teste anterior com uma bomba atômica e um míssil de longo alcance.

Especialistas dizem que a miserável Coreia do Norte não tem tecnologia suficiente para fabricar um reator avançado de água-leve.

O país alega que o lançamento do foguete neste mês serviu para colocar um satélite em órbita, como parte de um programa espacial pacífico. Já os EUA, a Coreia do Sul e o Japão afirmam que se trata de um teste disfarçado do míssil Taepodong-2, capaz de atingir o Alasca.

A reação da ONU, endurecendo a implementação das sanções, deve ter pouco impacto econômico na Coreia do Norte, e analistas acham que a divisão internacional a respeito -- China e Rússia foram contra medidas mais firmes -- pode fortalecer internamente o regime de Kim Jong-il.

Especialistas dizem que o Norte pode reativar dentro de três meses a sua usina que separa o plutônio do combustível nuclear usado.

"As declarações da Coreia do Norte são sempre uma mistura de blefe e ameaças reais, mas acho que as ameaças são mais reais desta vez, e acho que vão continuar pelos próximos meses pelo menos", disse Shi Yinhong, especialista em segurança regional da Universidade Renmin, de Pequim.

(Reportagem adicional de Chris Buckley e Lucy Hornby, em Pequim, Yoo Choonsik, Kim Junghyun e Rhee So-eui, em Seul, e Linda Sieg, em Tóquio)

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