Cordero está hospitalizado na Argentina à espera de julgamento

Buenos Aires, 25 jan (EFE).- O militar da reserva uruguaio Manuel Cordero, acusado de participar da Operação Condor das ditaduras sul-americanas nos anos 70, está internado em um hospital do norte da Argentina à espera de prestar depoimento a um juiz, informaram hoje à Agência Efe fontes policiais.

EFE |

Depois de ter sido extraditado no sábado a partir do Brasil, Cordero agora está em um hospital na província de Corrientes.

Porta-vozes da Interpol consultados pela Efe informaram que o ex-militar será transferido amanhã de avião para Buenos Aires, que fica 1 mil quilômetros da capital argentina.

Em Buenos Aires, o militar irá prestar depoimento ao juiz Norberto Oyarbide, que investiga os crimes de lesa-humanidade cometidos na Operação Condor, como foi denominada a repressão coordenada pelas ditaduras militares da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai, Peru e Uruguai nos anos 70.

Segundo as autoridades judiciais, no entanto, ainda não está definido quando será o depoimento do ex-militar.

No último sábado, ele foi levado de ambulância de Santana do Livramento, cidade brasileira na fronteira com o Uruguai, até Uruguaiana, na divisa com a Argentina, onde foi entregue às autoridades daquele país.

Cordero, de 71 anos e ex-oficial do Exército uruguaio, é um dos acusados pelo desaparecimento de dezenas de pessoas, na grande maioria de uruguaios, aprisionadas em Buenos Aires durante a ditadura argentina (1976-1983), incluindo a argentina María Claudia García Irureta de Gelman, nora do poeta Juan Gelman.

Casado com uma brasileira, o militar da reserva é acusado pelo sequestro de um bebê, depois conhecido como Aníbal Armando Parodim, durante a Operação Condor, e de 32 casos de torturas contra presos em 1976 em um centro clandestino na Argentina, segundo o Supremo Tribunal Federal (STF) no Brasil.

Na sexta-feira passada, o acusado deixou um hospital em Santana do Livramento, onde estava internado, com o compromisso prévio do Governo argentino de que o militar continuará o tratamento cardíaco em Buenos Aires.

Foragido do Uruguai desde 2004 e preso no Brasil em 2007, a extradição de Cordero havia sido adiada por causa de seus problemas de saúde, o que permitiu seis meses de prisão domiciliar em Santana do Livramento.

Na segunda-feira passada, o suposto repressor tinha apelado ao STF para evitar sua extradição à Argentina.

Ele é acusando de integrar grupos paramilitares e de torturar prisioneiros no centro prisional clandestino "Automotores Orletti", que funcionou em Buenos Aires.

Nesse local estiveram presos os uruguaios Washington Cram, Alberto Mechoso, León Duarte, Ruben Prieto, Ary Cabrera e Adalberto Soba, além da nora de Gelman, entre outros, segundo as investigações.

Em 1976, María Claudia García Irureta de Gelman foi levada a Montevidéu junto de outros prisioneiros na Operação Condor, crime que na Argentina é motivo de uma causa na qual também estão acusados o ex-general e ditador Jorge Videla e antigos agentes do serviço secreto e da Marinha de Guerra.

Argentina e o Uruguai pediram a extradição de Cordero, mas a máxima corte brasileira rejeitou o pedido uruguaio porque os crimes eram os mesmos e ocorreram em território argentino. EFE ms/dm

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