Cópia do telegrama da rendição argentina nas Malvinas é leiloada

Telegrama enviado por general britânico ao centro de comunicações do Reino Unido é colocado à venda em meio a tensões com Argentina

iG São Paulo |

Uma cópia do telegrama que informava sobre a rendição argentina na Guerra das Malvinas de 1982, assinado pelo general britânico Jeremy Moore com um "Deus salve a Rainha", será leiloada no dia 3 de abril em Londres, Reino Unido.

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EFE
Cópia do telegrama que informa sobre rendição argentina nas Guerra das Malvinas

O documento é colocado à venda pela casa de leilões Bonhams um dia depois do 30º aniversário da ocupação argentina das ilhas e em momentos de grande tensão entre o Reino Unido e Argentina pela posse das ilhas.

Moore, a cargo das forças britânicas terrestres durante o conflito bélico, informava na mensagem sobre a capitulação do general-de-brigada argentino Mario Menéndez, em 14 de junho de 1982.

O militar britânico enviou o telegrama ao centro de comunicações do governo britânico - complexo de escutas que responde às siglas GCHQ -, com sede em Cheltenham, no oeste inglês.

No texto, Moore informava que às 9h da noite em Port Stanley, capital das Malvinas (Puerto Argentino para Buenos Aires), o general Menéndez - governador das ilhas durante a ocupação argentina - tinha se rendido. "Estão sendo feitos os preparativos para reunir os homens para seu retorno à Argentina, para recolher suas armas e equipamentos e para fazer uso seguro de sua munição", diz o telegrama.

O general finaliza sua mensagem dizendo: "As ilhas Falkland - como os britânicos chamam as Malvinas - estão mais uma vez sob o governo que querem seus habitantes. Deus salve a Rainha. Assinado J Moore. Fim da mensagem".

Em 2 de abril de 1982, a junta militar da Argentina ocupou as ilhas, o que provocou a reação da então primeira-ministra britânica conservadora, Margaret Thatcher, que enviou uma força militar ao Atlântico Sul e deu início ao conflito bélico, que terminou em 14 de junho do mesmo ano.

O presidente da casa Bonhams, Robert Brooks, disse nesta quarta-feira que o telegrama mostra o momento da capitulação dos 12 mil soldados argentinos nas ilhas do Atlântico Sul. É um documento de "grande importância histórica", pelo qual haverá um grande interesse no mundo todo, acrescentou Brooks.

A cópia será vendida em um leilão sobre objetos marítimos e coincide com o aumento da tensão bilateral, especialmente pela presença nas ilhas do príncipe William , segundo na linha de sucessão ao trono britânico.

Mais da metade dos 12 membros da Comissão de Defesa da Câmara dos Comuns irão para as ilhas em março, segundo informou o porta-voz Alex Paterson, sem querer indicar a data exata da viagem. Essa será a primeira da comissão desde 1999.

Essas iniciativas, somadas ao envio de um moderno destróier britânico em breve e a informações sobre o suposto envio de um submarino nuclear para a área em torno das ilhas, levaram a Argentina a denunciar formalmente na sexta-feira passada na ONU a "militarização" do Atlântico Sul, acusações rejeitadas pelo Reino Unido.

O porta-voz da comissão ressaltou que a viagem estava prevista desde o final de 2011, antes que fossem desencadeadas as novas tensões. "Estão dando continuidade ao seu trabalho para se assegurarem que visitam cada base britânica", indicou o porta-voz. "O objetivo é ver a estrutura da força" no contexto de uma revisão dos gastos de Defesa.

Thomas Docherty, membro da comissão, disse, no entanto, ao jornal The Times que, além de conferir "em que se gasta o dinheiro do contribuinte", a viagem também é uma oportunidade para lembrar o conflito.

"Uma de minhas prioridades no momento histórico esse ano será o aniversário. É importante que neste ano reconheçamos os sacrifícios feitos", disse o deputado trabalhista.

A guerra, que durou 74 dias, deixou 649 argentinos e 255 britânicos mortos e terminou no dia 14 de junho de 1982 com a rendição da nação sul-americana. O secretário de Estado de Assuntos Exteriores para a América Latina, Jeremy Browne, viajará em junho para o arquipélago para participar de um ato para lembrar o conflito.

Com AFP e EFE

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