acordo mínimo decepciona muitos países, inclusive o Brasil - Mundo - iG" /

Copenhague: acordo mínimo decepciona muitos países, inclusive o Brasil

Ramón Santaularia Copenhague, 19 dez (EFE).- Um acordo mínimo e sem caráter vinculativo, que deixou muitos participantes decepcionados - incluindo o Brasil -, encerrou hoje a Cúpula da ONU da Mudança Climática de Copenhague sobre a redução das emissões de gases do efeito estufa.

EFE |

Em uma primeira reação, o Brasil se mostrou "muito decepcionado" pelos resultados e expressou sua confiança de que em 2010 se seja alcançado um pacto mais substancial sobre as emissões, já pensando na cúpula que acontece em dezembro, no México.

O embaixador da delegação brasileira, Sergio Serra, disse em entrevista coletiva que "pelo menos há um acordo que permitirá salvar algo e seguir negociando no ano que vem os números que aqui não se acertaram".

O texto, estipulado na madrugada, e que devia ser referendado ainda pelo plenário da conferência, omite o montante global de redução de emissões de gases do efeito estufa, ao contrário do que esperavam muitos países, e só pede "profundos cortes" neste setor sem determinar prazos.

Foi o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, o primeiro a declarar na capital dinamarquesa que o documento, quando ainda estava sendo redigido, não seria vinculativo, mas representa um "avanço sem precedentes e significativo".

Em princípio, se tratava de um pacto fechado entre Obama e o presidente sul-africano, Jacob Zuma, e os primeiros-ministros de Índia e China, Manmohan Singh e Wen Jiabao, respectivamente, ao que depois aderiu a UE, mas que excluiu países em desenvolvimento, incluindo vários latino-americanos, como a Venezuela e Bolívia.

A declaração atenta para a necessidade de limitar a alta das temperaturas em 2 graus com relação ao nível de 1900, embora não fixa que medidas se adotarão para isso e em que prazo.

Apesar do objetivo da ONU era fazer com que o bloco industrializado adotasse números homogêneos de redução de emissões tanto para 2020 como para 2050, o texto se limita a recolher as propostas a médio prazo anunciadas por cada país antes de acudir à cúpula de Copenhague, da qual participaram 192 países.

O documento também estabelece o financiamento que os países ricos destinarão ao alívio e adaptação da mudança climática das nações em desenvolvimento, que será de US$ 30 bilhões entre 2010 e 2012 e de US$ 100 bilhões anuais a partir de 2020.

Entre os insatisfeitos estava o presidente francês, Nicolas Sarkozy, quem admitiu que o texto pactuado não era perfeito, mas que era um acordo pelo que todos os países, incluindo a China, deverão apresentar seus planos para recortar as emissões de dióxido de carbono (CO2) até o dia 1º de fevereiro de 2010.

As organizações ambientalistas também expressaram seu descontentamento por este desenlace.

As reações negativas dos países em desenvolvimento e das organizações ambientalistas, que tinham expectativas diferentes das delegações dos países industrializados, não demoraram.

Lumumba Stanislaus Di-Aping, porta-voz do grupo G77, comentou que o acordo não era o que se esperava de Copenhague, e que se trata de uma mera declaração política e propôs que se prolonguem as negociações em outros seis meses para alcançar um acordo real.

José Antonio Hernández de Toro, porta-voz na Espanha da organização ambientalista Oxfam Internacional, qualificou este pacto de "um acordo de mínimos", uma declaração política.

Mar Assunção, da organização WWF Espanha, comentou que o acordo de Copenhague é "insuficiente" e que no México é necessário um acordo vinculativo sobre as emissões.

Acrescentou que também é insuficiente o compromisso de financiamento aos países pobres para aliviar os efeitos das emissões, e que não está clara a procedência dos US$ 100 bilhões anuais que deverão fornecer as nações ricas a partir de 2020. EFE rs/fm

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG