Copenhague não terá acordo dos sonhos, diz Lula em Berlim

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira, durante visita a Alemanha, que não espera fechar o acordo dos sonhos na conferência da ONU sobre as mudanças climáticas em Copenhague, na semana que vem. Não vamos fazer acordo dos sonhos porque possivelmente até lá não aprofundamos a discussão na qualidade que queríamos aprofundar, disse, se referindo à reunião que irá discutir um substituto para o protocolo de Kyoto, o acordo que estabelece metas para redução das emissões de gases que provocam o efeito estufa.

BBC Brasil |

"Não vamos fazer acordo nem dos sonhos meus, nem dos sonhos da (chanceler alemã) Angela Merkel, nem de presidente de país algum, mas vamos ter acertos importantes para em 2015 avançar um pouco mais e ver a responsabilidade de cada um."
As declarações foram feitas durante entrevista coletiva após o encontro na manhã desta quinta-feira com Merkel, em Berlim.

Irã
Ao responder uma pergunta sobre as críticas à visita do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad ao Brasil, Lula afirmou que a comunidade internacional não deve pressionar o Irã no tocante ao programa nuclear do país.

Teerã vem sendo pressionado a aceitar um acordo apresentado em outubro pela Agência Internacional de Energia Atômica para enriquecer a maior parte de seu urânio na Rússia. Mas o governo do país já indicou que não aceita a proposta como lhe foi sugerida.

"O melhor e o mais barato para todos nós é acreditarmos nas negociações e termos muita paciência. Penso que tratar o Irã como se fosse país insignificante, aumentando a pressão sobre o Irã poderá não resultar em uma coisa boa", afirmou. "Temos que aumentar o clima de confiança (com o Irã) para poder sonhar com uma boa negociação", acrescentou.

Ele ressaltou ainda que o Brasil não aceita a utilização de armas nucleares.

"Temos aprovado na nossa Constituição brasileira de 1988 que é proibida a utilização de armas nucleares", observou.

Entretanto, Lula deixou claro que o Brasil concorda que o Irã faça uso pacífico da energia atômica.

"Temos enriquecimento de urânio para produzir energia elétrica e queremos o mesmo, e o que aceitamos para si, aceitamos também para o Irã", disse Lula.

A chanceler Angela Merkel observou que Brasil e Alemanha concordam nos pontos básicos de que Irã deve cooperar com os órgãos internacionais de controle de energia atômica.

Honras
No primeiro dia da visita de dois dias à Alemanha, Lula foi recebido com honras de estado pelo presidente alemão, Horst Köhler e almoçou com Merkel.

Durante o encontro com a chanceler, representantes de governo de Alemanha e Brasil assinaram acordos de parceria estratégica nas áreas de ciência e tecnologia, meio ambiente e cooperação econômica e empresarial.

A parceria entre os dois países inclui o apoio alemão nas áreas de segurança e infraestrutura, visando a realização da Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada do Rio de Janeiro. A chanceler alemã destacou que seu país pode auxiliar o Brasil por já ter a experiência da Copa do Mundo de 2006.

O trem-bala alemão está entre as soluções que o país oferece ao governo brasileiro. Lula viajará para Hamburgo a bordo de um dos modelos do veículo.

O objetivo dos alemães é vender o trem de alta velocidade para ser utilizado na linha rápida planejada para ligar o Rio de Janeiro a São Paulo e Campinas.

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