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Copenhague marca virada na reação à mudança climática, diz representante da ONU

A poucas horas do início da reunião das Nações Unidas sobre o clima em Copenhague, na Dinamarca, Yvo de Boer, secretário-executivo da Convenção sobre o Clima da ONU (UNFCCC, na sigla em inglês), afirmou que o encontro já marca uma virada na reação internacional sobre o tema. Em uma entrevista coletiva neste domingo, Boer disse estar mais otimista do que nunca, em 17 anos de negociações, já que praticamente todos os dias um novo país apresenta novas intenções de cortes de emissões.

BBC Brasil |

"Agora, os negociadores têm os sinais mais claros já dados pelos líderes mundiais para elaborar propostas sólidas para implementar ação rápida", disse o secretário-executivo.

Antes da coletiva, a segurança do centro de convenções Bella, sede do encontro, anunciou uma ameaça de bomba, o que impossibilitou vários jornalistas de entrarem no prédio.

Chegada
Negociadores das mais de 190 delegações que participarão do encontro de duas semanas a partir desta segunda-feira já estão chegando na capital dinamarquesa.

Apesar do otimismo demonstrado por Boer, há quem questione os possíveis resultados do encontro em Copenhague, que busca chegar a um acordo mundial de combate às mudanças climáticas.

Nas últimas semanas, o vazamento de arquivos e e-mails pessoais de pesquisadores da Universidade de East Anglia, na Grã-Bretanha, vem causando polêmica no meio científico.

Os chamados "céticos", aqueles que discordam do consenso científico representado pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), usaram o material como suposta prova de que o aquecimento global é fruto de manipulação de dados.

No entanto, um comunicado do IPCC defendeu neste domingo os relatórios do grupo, afirmando que estão cientificamente corretos e que o aquecimento global é "inequívoco".

Recomendações
Os cientistas do IPCC concluíram que há uma probabilidade de 90% de que o aquecimento do planeta provocado pela atividade humana tenha sido de cerca de 0,7ºC.

Para que a temperatura da Terra não ultrapasse a barreira dos 2ºC, considerada "segura", o IPCC recomendou que as emissões de gases que provocam o efeito estufa sejam reduzidas entre 25% e 40% (em comparação com 1990) até 2020.

É com base nessas recomendações do IPCC que os participantes de Copenhague tentarão chegar a um acordo com metas de emissão para os países ricos e financiamentos para promover o crescimento econômico "limpo" nos países pobres e em desenvolvimento, para ajudá-los a se adaptar às mudanças climáticas.

Vários países, entre eles o Brasil, a China e os Estados Unidos, já anunciaram propostas de cortes em suas emissões para os próximos anos.

No entanto, um estudo recente da organização não governamental alemã Climate Analytics e da consultoria Ecofys afirmou que com as metas anunciadas até o momento, o aquecimento global superará os 3ºC até o fim do século, podendo até ultrapassar os 4ºC, o que teria consequências imprevisíveis para a Terra.

Multidão
Ainda neste domingo, a UNFCCC divulgou uma nota afirmando que a entrada de representantes de organizações não governamentais no centro de convenções seguirá um esquema de cotas, já que cerca de 34 mil pessoas pediram acesso ao local.

O Bella tem capacidade máxima para 15 mil, de acordo com os organizadores.

O credenciamento de jornalistas para a reunião também foi suspenso. Cerca de 3,5 mil já estão autorizados a cobrir o evento, e a "situação será reavaliada no dia 9 de dezembro".

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