O compromisso político obtido nesta sexta-feira pelos chefes de Estado em Copenhague foi um desastre para os países mais pobres, afirmou a ONG Amigos da Terra.

"Estamos enojados com a incapacidade dos países ricos de assumir compromissos sobre a redução das emissões, em particular com os Estados Unidos, que são, historicamente, o principal emissor mundial de gases do efeito estufa", afirmou o presidente da Amigos da Terra, Nnimmo Bassey.

Copenhague foi um "completo fracasso". Com o "adiamento das ações, o planeta sofrerá com fome e mortes na medida em que se acelerar a mudança climática". "A responsabilidade sobre este resultado desastroso é estritamente das Nações desenvolvidas".

Para Kumi Naidoo, diretor executivo da Greenpeace Internacional, o acordo tem tantos buracos que "poderia se voar com um avião através dele; o Air Force One, por exemplo".

"Um acordo repleto de aspirações e promessas não é nada além de maquiagem verde", disse Patricia Arendar, diretora executiva do Greenpeace México.

"Permitir que a temperatura suba até 3 graus é condenar a humanidade a sofrer ainda mais com fome, epidemias, perda de lares e safras, e até de vidas. Este é o futuro que estão nos deixando os políticos em Copenhague".

O grupo ecologista Sierra Club destacou que um dos culpados é o Senado dos Estados Unidos, que não aprovou a legislação apoiada pelo presidente Barack Obama para reduzir as emissões de gases do efeito estufa da maior economia do planeta.

"O presidente Obama e o restante do mundo pagaram um preço excessivo em Copenhague pela obstrução do Senado dos Estados Unidos", disse o diretor do Sierra Club, Carl Pope.

A organização ecológica WWF manifestou sua preocupação com o fato de não haver obrigatoriedade sobre os compromissos assumidos.

"Uma brecha entre a retórica e a realidade poderá custar milhões de vidas, bilhões de dólares e uma grande quantidade de oportunidades perdidas", afirmou Kim Carstensen, diretor da Iniciativa Climática Global da WWF.

Jeremy Hobbs, diretor-executivo da Oxfam International, disse que "milhões de pessoas, em todo o mundo, não querem ver suas esperanças de um acordo justo, vinculante e ambicioso acabarem em Copenhague.

"Os líderes têm que voltar à mesa no início de 2010 e tomar as decisões difíceis que evitaram em Copenhague".

sct/LR

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.