Copenhague chega ao último dia sem acordo

Por Krittivas Mukherjee e Markus Wacket COPENHAGUE (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, juntou-se na sexta-feira a outros líderes mundiais na complicada busca por um acordo climático global, no último dia da conferência da ONU em Copenhague.

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Negociadores de 193 países passaram a noite trabalhando e chegaram a consensos a respeito de financiamento para o combate à mudança climática e a um limite para a elevação da temperatura mundial. Ainda não há perspectiva de acordo, no entanto, sobre os níveis de reduções para as emissões de gases do efeito estufa.

Um texto-base propõe um fundo de 100 bilhões de dólares por ano até 2020 para ajudar os países pobres a lidarem com a mudança climática, e busca limitar o aquecimento a 2 graus centígrados acima dos níveis pré-industriais.

Mas ainda há grandes divergências, e Andreas Carlgren, ministro de Meio Ambiente da Suécia, país que preside a União Europeia neste semestre, disse que só China e EUA, sendo os dois maiores poluidores do mundo, podem destravar o acordo.

"Há profundas diferenças de opiniões e visões sobre como iremos resolver isso. Vamos tentar dar o nosso melhor, até os últimos minutos desta conferência", disse o primeiro-ministro sueco, Fredrik Reinfeldt.

Obama chegou na manhã de sexta-feira e iria se reunir reservadamente com o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao.

"Ao longo de todo o processo o verdadeiro problema tem sido por um lado os Estados Unidos, que não conseguiram prover (soluções) suficientemente, por outro a China, que proveu menos. E eles têm realmente bloqueado repetidamente o processo, seguidos por um grupo de Estados petroleiros. Essa é a verdadeira diferença, o verdadeiro confronto por detrás disso", afirmou Carlgren.

O objetivo da conferência é definir as bases de um novo tratado para evitar os piores efeitos da mudança climática, como secas, inundações, elevação dos mares e extinção de espécies, em substituição ao Protocolo de Kyoto, que expira em 2012. O evento deve terminar, na melhor das hipóteses, com um acordo político, que servirá de base para um tratado juridicamente vinculante a ser discutido em 2010.

Ao longo de dois anos de negociações --inclusive durante a conferência de Copenhague, que começou no dia 7-- houve profundas divergências entre países ricos e pobres sobre quanto cada parte deveria reduzir nas suas emissões de gases do efeito estufa. Os países em desenvolvimento dizem que as nações industrializadas têm uma responsabilidade histórica de liderar o processo.

Os negociadores se puseram de acordo sobre uma proposta inicial que falava num limite de 2 graus centígrados para o aquecimento em comparação ao nível pré-industrial. Segundo cientistas, esse é o teto para que o mundo evite os piores impactos da mudança climática.

A ajuda para que os países em desenvolvimento se adaptem às mudanças e limitem suas emissões deve ser de pelo menos 100 bilhões de dólares por ano até 2020, mas pode incluir outros 30 bilhões de dólares anuais para os países menos desenvolvidos.

Mas as negociações mantidas durante a noite terminaram, já de manhã, sem acordo sobre o elemento central do futuro tratado --os prazos e níveis da redução das emissões.

"Ainda não chegamos lá, está confuso", disse um delegado europeu. "A situação é desesperadora", resumiu um delegado indiano.

(Reportagem adicional de Alister Doyle, Gerard Wynn, Anna Ringstrom, John Acher, Jeff Mason, Richard Cowan e Emma Graham-Harrison)

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