Convulsão de Kennedy é nota triste no grande dia de Obama

María Peña. Washington, 20 jan (EFE).- A convulsão sofrida pelo senador Edward Kennedy e que o fez seguir com urgência a um hospital foi a nota triste hoje da série de celebrações por motivo da posse de Barack Obama, o primeiro presidente negro dos Estados Unidos.

EFE |

Kennedy, de 76 anos, que sofre de tumor cerebral, teve uma convulsão durante um almoço no salão Rayburn do Capitólio.

Não é a primeira vez que Kennedy sofre convulsões após sua operação em junho de 2008 para a retirada de um tumor no cérebro, mas o incidente obscureceu o almoço que tradicionalmente é realizado com o governante americano após jurar o cargo.

Primeiro presidente negro na história do país, Obama estava cumprimentando os convidados quando um oficial do Capitólio pediu a presença da equipe médica no edifício.

Mais adiante, o presidente americano lembrou que o senador, ícone da ala mais liberal do Partido Democrata, esteve ali "quando foi aprovada a lei dos direitos civis e, junto com John Lewis, foi um guerreiro que atuou em nome da Justiça".

"Mentiria se não dissesse que, atualmente, uma parte de mim está com ele. É um momento de júbilo, mas também de reflexão. Minhas orações estão com ele, com sua família e com (a esposa de Kennedy), Vicki", disse Obama.

Outras testemunhas indicaram que Kennedy não perdeu a consciência em nenhum momento, e que, ao ser levada de maca a uma ambulância, tinha bom ânimo.

"Nunca perdeu a consciência, e quando entrava na ambulância, me deu seu sorriso típico... Parece que vai ficar bem, mas tivemos muito medo", disse Orrin Hatch, senador republicano e amigo de Kennedy.

O senador Christopher Dodd assegurou que, na ambulância, Kennedy disse: "Ficarei bem, nos vemos mais tarde".

Em comunicado divulgado pelo gabinete de Kennedy, Edward Aulisi, neurocirurgião-chefe do Washington Hospital Center, confirmou que o senador democrata por Massachusetts sofreu uma convulsão e que, após realizarem alguns exames, médicos acreditam que "o incidente foi provocado por uma simples fadiga".

"O senador Kennedy está acordado, falando com sua família e amigos, e se sente bem. Permanecerá no Washington Hospital Center durante a noite para observação, e terá alta pela manhã", completa o comunicado.

Kennedy está acompanhado por sua esposa, Vicki, e por seu filho, o legislador democrata por Rhode Island Patrick Kennedy, que declarou à rede de TV "ABC" que seu pai "ficará bem".

O senador apostou em Obama desde o início das primárias, quando ainda não estava claro quem seria o candidato democrata à Casa Branca.

Obama "é um homem com personalidade e liderança extraordinários", assegurou Kennedy quando anunciou seu apoio ao atual presidente americano em 28 de janeiro de 2008, durante um movimentado ato público na American University, em Washington.

Com Barack Obama na Casa Branca, acrescentou na ocasião, acabarão as políticas das distorções e da divisão entre raças, etnias e gêneros.

O cobiçado apoio de Kennedy teve um impacto decisivo na campanha eleitoral de Obama.

Kennedy chegou ao Senado por Washington, em 1962, seguindo os passos de seus irmãos Robert e John. Substituiu este último na cadeira na Câmara Alta quando John conquistou a Presidência.

Desde então, defendeu as causas mais progressistas do Partido Democrata, ganhando o respeito de seus semelhantes e também contrários, por adotar um tom bipartidário e buscas por consenso no Senado, como no caso da reforma educativa proposta por George W.

Bush.

Em 17 de maio de 2008, Kennedy sofreu uma convulsão e foi levado a um hospital em Boston, onde os médicos detectaram um tumor cerebral.

Foi submetido a uma cirurgia um mês depois no Centro Médico Universitário de Duke e, apesar um delicado período de convalescença, fez um discurso emocionado durante a abertura da Convenção Democrata em agosto passado em Denver, no estado do Colorado.

Kennedy tinha prometido que estaria presente hoje em Washington para acompanhar, junto com milhões de pessoas, a posse do presidente Obama.

O senador por Virgínia Ocidental Robert Byrd, de 91 anos e que sofre de mal de Parkinson, também precisou de atendimento médico hoje e foi retirado do Capitólio.

A equipe de Byrd assegura que o legislador se encontra bem. EFE mp/fr

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG