Nuha Musleh. Ramala, 16 dez (EFE).- A Organização para a Libertação da Palestina (OLP) prorrogou hoje os mandatos do Parlamento da Autoridade Nacional Palestina (ANP) e do presidente Mahmoud Abbas até a realização de eleições em 28 de junho de 2010.

A decisão, que foi classificada pelo Hamas como "ilegal", foi aprovada pelo Conselho Nacional Palestino (CNP), máximo órgão representativo da OLP, em seu segundo dia de reuniões na cidade cisjordaniana de Ramala.

Uma fonte do CNP, que pediu para não ser identificada, comunicou aos jornalistas a resolução. Mas esta contrastou com recentes declarações do secretário-geral do conselho, Yasser Abed Rabbo.

Ontem, o líder palestino deu a entender que o pleito seria adiado por tempo indeterminado para "impedir uma maior divisão entre Cisjordânia, Jerusalém Oriental e Gaza".

A data apresentada hoje, no entanto, bate com a que tinha sido incluída na última proposta de reconciliação apresentada pelos mediadores egípcios aos dois principais movimentos palestinos, o Hamas e o Fatah, a qual marcava para junho de 2010 a realização eleições simultâneas em Gaza e na Cisjordânia.

Desde junho de 2007, quando o Hamas se rebelou contra a Autoridade Nacional Palestina (ANP), o movimento islâmico governa a Faixa de Gaza, enquanto Abbas, à frente do nacionalista Fatah, controla a Cisjordânia.

"A decisão do Conselho Nacional foi tomada para dar uma oportunidade à reconciliação interpalestina", destacou a fonte anônima, segundo quem Abbas continuará presidindo a ANP até a realização do pleito.

Em outubro, o líder nacionalista havia convocado eleições gerais para 25 de janeiro, quando terminaria a atual legislatura do Parlamento palestino e, após um ano a mais de mandato, ele finalmente entragaria a Presidência da ANP.

Um mês depois, Abbas ainda disse que não tentaria a reeleição.

Mas, no mesmo mês, a Comissão Eleitoral Palestina recomendou a adiamento do pleito com o argumento de que seria impossível organizá-lo em Gaza e em Jerusalém Oriental, dada a obstrução do Hamas e de Israel.

O Conselho Nacional Palestino, representante legal deste povo, também determinou hoje, a portas fechadas, a prorrogação do mandato do Parlamento da ANP, controlado pelo Hamas desde a vitória dos islâmicos nas eleições legislativas de 2006, mas que não funciona desde o racha de 2007.

Em nota divulgado em Gaza, o Hamas condenou as duas prorrogações, uma vez que "qualquer coisa decidida pelo Conselho Nacional é ilegal".

"As competências do conselho expiraram e não obrigam ninguém do povo palestino" a nada, destaca a nota, na qual o Hamas explica que "a legitimidade (constitucional) emana do povo palestino, não do Conselho Nacional ou de qualquer outra instituição".

O movimento islâmico nunca fez parte da OLP, que deu vida à ANP mediante os Acordos de Oslo, selados com Israel nos anos 1990.

Ismail Radwan, um dos líderes do Hamas em Gaza, lembrou ainda que o mandato de Abbas expirou em janeiro de 2009. Portanto, ele "não tem nenhuma autorização para continuar como tal, a menos que sejam realizadas eleições".

"Todas estas tentativas de prorrogar mandatos são manipulações ilegais", ressaltou o líder, que, no entanto, não negou a importância de um novo pleito ser convocado.

"O Hamas aceita eleições justas, que sejam convocadas após um acordo de reconciliação e sejam realizada ao mesmo tempo na Cisjordânia e em Gaza", acrescentou.

Em relação ao Parlamento, o comunicado do movimento islâmico diz que, "segundo as Leis Básicas, é dono de si" e, portanto, "seguirá atuando com plenos poderes até que sejam realizadas novas eleições".

A convocação de eleições para daqui a seis meses coincidiu com uma nova oferta de Abbas ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, para relançar as negociações de paz.

Em uma entrevista ao jornal "Ha'aretz", o líder palestino disse que é possível chegar um acordo de paz com Israel em apenas seis meses. Mas só se o Estado israelense deter totalmente a ampliação das colônias judaicas na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, mesmo que sem anunciar isso publicamente, para não complicar a situação política interna de Netanyahu. EFE nm/sc

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