Pequim, 20 mai (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu nesta quarta-feira, antes de deixar Pequim, que convencer a China a fechar negócios em suas respectivas divisas e abandonar o dólar levará seu tempo, embora saia do gigante asiático com milhões de dólares em investimentos e acordos petroleiros.

"Propus a Hu Jintao (presidente da China) que fizéssemos uma reunião entre nossos bancos centrais para negociar em nossas moedas", assinalou Lula aos jornalistas antes de deixar a capital chinesa.

O presidente lembrou que abandonar o dólar no comércio entre Brasil e Argentina levou seu tempo, e que com a China também não vai ser fácil, já que "as burocracias de cada banco são difíceis de mudar".

"Tudo isso leva tempo. Se eu pudesse viajar com um pacote de coisas compradas e coisas vendidas de antemão... Mas não é assim que funciona", concluiu.

Entre os assuntos que ficaram pendentes na segunda visita de Estado do presidente à China também se encontra a venda de carne bovina e suína ao gigante asiático, embora tenha havido um avanço no comércio da de aves.

"Sabemos que a fiscalização sanitária pode liberar a entrada da carne brasileira", reconheceu Lula ao se referir ao acordo assinado ontem que é parte do processo para permitir a entrada do frango brasileiro.

Também não foi possível avançar nas vendas de aviões da Embraer.

A companhia chinesa Hainan Airlines reduziu seu pedido de 2006 de 50 para 25 unidades do modelo ERJ-145 há duas semanas, enquanto a Kun Peng Airlines manteve seu pedido de apenas cinco unidades do modelo E-190.

"Falamos com Hu sobre a Embraer, já que eles suspenderam as compras devido à crise, como ocorreu com outros países", assinalou.

Outro dos assuntos pendentes é o dos biocombustíveis, cuja tecnologia Lula pretendia fornecer à China, e pela qual os empresários do país asiático não mostraram muito interesse.

Mesmo com estes assuntos pendentes, Lula deixa a China com um crédito de US$ 10 bilhões para a Petrobras, outro de US$ 800 milhões para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e outros US$ 100 milhões para o Itáu BBA, todos fornecidos pelo Banco de Desenvolvimento da China (CDB).

"Viajo com a sensação de que ainda vamos construir muitas coisas extraordinárias. Há um oceano repleto de oportunidades", comentou Lula ao se referir a esses acordos.

Entre os acordos assinados com a China, se destacam um de cooperação em ciência e tecnologia, outro de cooperação jurídica em matéria civil e comercial, um de finanças e outro entre suas respectivas agências espaciais.

No último dia de sua visita, Lula presidiu a assinatura deste último acordo de cooperação bilateral na Academia Chinesa de Tecnologia Espacial, em Pequim, para desenvolver e operar satélites de observação da Terra mediante observatórios em seus respectivos territórios e na Espanha.

O programa de satélites entre China e Brasil, o CBERS, começou em 1988 com o objetivo de explorar recursos terrestres, e com ele foram lançados até o momento três satélites que forneceram de forma gratuita a informação colhida a outros países pouco desenvolvidos.

A China superou em abril os Estados Unidos como principal parceiro comercial do Brasil, ao alcançar os US$ 3,2 bilhões de troca bilateral, contra US$ 2,8 bilhões com os americanos.

Lula deixou hoje Pequim com destino à Turquia, de onde viajará de volta ao Brasil. EFE mz/mh

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