A Convenção Republicana reunida em Saint Paul (Minnesota, norte) ainda estava no olho da tempestade Gustav, nesta terça-feira, quando se acumulam revelações embaraçosas sobre Sarah Palin, a companheira de chapa do candidato à Casa Branca John McCain.

Ao escolher uma mulher de 44 anos, governadora há apenas dois e ex-prefeita de uma pequena cidade de 9.000 habitantes, McCain mostrou uma incontestável audácia, mas alguns republicanos já começam a se perguntar se não foi um pouco temerário.

Na segunda-feira, Sarah Palin admitiu que sua filha mais nova, de 17 anos e solteira, está grávida. Embora todos, incluindo os democratas, considerem que este é um assunto privado, surgiram dúvidas sobre se McCain estava a par da gravidez, antes de escolher Palin.

O porta-voz de McCain, Tucker Bounds, garantiu que ele não sabia de nada e avaliou que isso "não desclassifica" Palin para integrar a chapa republicana.

"Quero repetir como estou empolgado em ter Sarah palin, a ótima governadora do Alasca, como minha companheira de chapa", disse o próprio McCain, durante sua campanha em Ohio, em sua primeira defesa explícita de Sarah, após o escândalo.

"Os Estados Unidos estão empolgados e vão ficar mais empolgados ainda quando a virem falar. Estou muito orgulhoso da impressão que ela causou em todos os americanos e estou ansioso por trabalhar com ela", frisou.

Na mesma linha, a Casa Branca considerou que a gravidez da filha de Sarah é "um assunto familiar, de natureza particular".

"O presidente dos Estados Unidos considera que é algo que esta família decidiu superar junto e pensa que se trata de um assunto familiar, de natureza particular", declarou a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino.

"É evidente que essa família ama muito sua filha, e o bebê terá, ao nascer, todo o apoio de uma família muito amorosa", acrescentou Dana, no dia seguinte ao anúncio da gravidez de Bristol, que deve se casar com o pai da criança.

"Na verdade, é a imprensa que vai decidir se esse é um assunto que merece ser tratado durante a campanha eleitoral", encerrou.

Barack Obama, o adversário democrata de McCain, recusou-se a emitir qualquer crítica contra a ultraconservadora Sarah Palin, categoricamente oposta ao aborto e que prega a abstinência sexual antes do casamento.

"Penso que todas as personalidades políticas responderam de maneira responsável e mostraram seu apoio a uma jovem que vai ter de crescer mais rápido", completou Dana.

Essa não foi, contudo, a única história potencialmente problemática que veio à tona, já que os próprios assessores de McCain disseram que o marido de Palin foi preso há cerca de 20 anos por dirigir embriagado.

Além disso, vários jornais noticiaram que Sarah Palin foi membro do Partido da Independência do Alasca, que reivindica a secessão de um estado dos EUA, durante pelo menos dois anos, no início da década de 1990. Este ano, Palin saudou, inclusive, em uma videomensagem, os delegados desse partido durante seu congresso.

Fontes da campanha de McCain disseram hoje à AFP que "uma equipe de comunicadores" partiu para o Alasca, enviada especialmente para colaborar no esclarecimento sobre o caso, rejeitando assim versões da imprensa de que vários figurões republicanos, entre eles alguns advogados, teriam viajado na segunda-feira para investigar o passado de Palin.

A governadora também está envolvida em uma investigação parlamentar no Alasca por tráfico de influência. Ela é suspeita de ter demitido, de forma abusiva, uma autoridade policial local, porque, de acordo com a acusação, o agente teria se recusado a demitir um funcionário da Polícia, ex-cunhado de Sarah Palin, que estava no meio de um divórcio litigioso com a irmã da governadora.

Palin afirma que não agiu de maneira ilegal e anunciou, ontem, que já contratou um advogado para defendê-la nesse caso.

A apenas 64 dias da eleição, em 4 de novembro, esses assuntos são, no mínimo, uma dor de cabeça para os republicanos.

Hoje, o jornal "The New York Times" divulgou o depoimento de um cacique republicano, que preferiu ficar no anonimato, contradizendo a versão oficial dos assessores de McCain, que afirmam que Palin foi alvo de uma profunda análise antes de ser eleita.

"No final, tudo foi feito de maneira precipitada, porque John não conseguiu o que queria. Queria Joe (Lieberman), ou (Tom) Ridge", completou a mesma fonte.

Ambos são favoráveis ao direito ao aborto, mas a Direita religiosa que apóia McCain havia advertido que não toleraria que ele escolhesse uma pessoa com essa postura.

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