Convenção em Denver marca um antes e um depois para os Clinton

Teresa Bouza. Denver (EUA), 27 ago (EFE) - Hillary e Bill Clinton pensavam que seriam aclamados na Convenção Nacional Democrata de Denver, mas quem acabou nos braços dos partidários foi o candidato democrata, Barack Obama, um revés que parece representar o início de uma mudança geracional no partido. Os partidos políticos evoluem geração a geração, disse à Agência Efe Bruce Gronbeck, professor da Universidade de Iowa, que acredita que chegou o momento de os Clinton passarem o bastão na legenda. O poderoso casal político representa, segundo Gronbeck, a geração posterior à Segunda Guerra Mundial, que rompeu com as prioridades do período histórico e colocou novas idéias em andamento. Bill Clinton é progressista em assuntos sociais e conservador em temas fiscais, o que derivou no nascimento de um novo tipo de democrata. Mas, mais uma vez, o mundo voltou a mudar.

EFE |

Os atentados de 11 de setembro de 2001 em Washington, Nova York e Pensilvânia abriram uma nova etapa histórica para os Estados Unidos, na qual o país se viu forçado a lidar com perigosos redutos radicais ao redor do mundo.

A atual Casa Branca optou por lutar contra essa ameaça com grandes exércitos e fazer isso de forma unilateral, uma aposta polêmica que afetou profundamente a popularidade do presidente americano, George W. Bush, e exige, segundo Gronbeck, uma nova mudança geracional.

Obama, disse o professor de Iowa, é o político que soube articular entre os democratas uma visão mais convincente para enfrentar os novos desafios dentro e fora dos EUA, e procura agora deixar uma marca duradoura, da mesma forma que fizeram os Clinton e o clã dos Kennedy.

"O Partido Democrata foi o partido dos Clinton durante os últimos 16 anos. A campanha de Obama quer convertê-lo agora no partido de Obama", afirmou Bill Schneider, analista da "CNN", em artigo que aparece no site da rede de televisão.

Para conseguir isso, terá que derrotar o candidato republicano, John McCain, nas eleições de 4 de novembro, uma possibilidade que está longe de ser clara, dado o empate virtual dos dois adversários nas pesquisas.

Se Obama vencer, "o Partido Democrata deixará de ser o partido dos Clinton", disse à Efe Erwin Hargrove, professor da Universidade Vanderbilt (Tennessee).

Mas se, pelo contrário, não conseguir desbancar McCain, Hillary poderia ter possibilidades reais de voltar a concorrer à Casa Branca em 2012, ressaltou o especialista.

A senadora não fechou, nesta terça-feira, essa porta durante seu discurso na Convenção, na qual fez um apelo à unidade do partido e deu apoio incondicional a Obama, mas no qual também deixou claro que os americanos não são o tipo de pessoa que jogam a toalha.

O discurso da ex-primeira-dama, que gerou aplausos várias vezes no plenário da Convenção, promete consolidar ainda sua autoridade nas fileiras do partido.

"Hillary é agora a voz da experiência e, apesar de não estar na Casa Branca, terá um forte peso entre os democratas do Congresso", afirmou Gronbeck.

Por enquanto, e embora tenha custado todos os seus esforços, os Clinton hastearam a bandeira de paz.

Hillary fez isso na terça-feira durante seu discurso na Convenção, no qual disse que Obama é seu candidato e será seu presidente.

Hoje será a vez de Bill, que, após ter atirado dardos venenosos contra Obama nas primárias, deverá elogiar, no palanque, as qualidades presidenciais do candidato democrata.

Pode ser que esse seja para Bill Clinton, um político famoso por não saber perder, um dos discursos mais difíceis de sua carreira.

O tempo dirá se, além disso, seu comparecimento na quarta-feira representará, como acham alguns, o início de uma mudança geracional que dê passagem a sangue novo ou uma simples pausa nas ambições presidenciais de Hillary, que dariam um renovado protagonismo a Bill. EFE tb/db

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