Convenção democrata em Denver também terá espaço para festas

Teresa Bouza Denver (EUA), 26 ago (EFE) - As centenas de festas que serão realizadas durante a Convenção Nacional Democrata que começou hoje em Denver mostram como evoluiu um evento que passou de ser um fórum de decisões e debate para um espetáculo midiático e de entretenimento.

EFE |

A convenção moderna é um grande espetáculo visual feito para atrair uma audiência milionária e para impulsionar a popularidade do candidato nas pesquisas.

Além disso, é uma excelente ocasião para organizar eventos sociais paralelos, nos quais estimula a mobilização de eleitores e ajuda a arrecadar fundos para as insaciáveis equipes de campanha dos partidos.

Para uma amostra disso, basta dar uma olhada no extenso calendário festivo de Denver durante os próximos dias.

As mais de 50 mil pessoas que, segundo previsões, visitarem durante esta semana a capital do Colorado poderão optar entre jogar pôquer com o ator Ben Affleck, fumar e beber de graça brindando à saúde da indústria de bebidas alcoólicas ou assistir aos shows do grupo de hip-hop Black Eyed Peas ou do rapper Kanye West.

Entre os que planejam ir às festas dos próximos quatro dias estão a estrela Jennifer López, a atriz e ativista Susan Sarandon, a cantora Cyndi Lauper e o diretor de cinema Spike Lee, só para citar alguns nomes de uma longa lista.

Para os que consideram que a oferta não é o suficiente, o prefeito de San Francisco, Gavin Newson, organizou um festival ao ar livre de música independente, que contará com bandas como Cold War Kids, Nada Surf e She & Him.

E, como a competição é acirrada, não falta quem, como a Associação para o Planejamento Familiar, tente atrair o público, ao batizar seu evento festivo com o sugestivo título de "Sexo, Política, Coquetéis e Festas até a Madrugada".

Terá festas para todos os grupos, desde os eleitores jovens até os latinos, as mulheres e os profissionais dos meios de comunicação.

Os legisladores de Washington também serão 'mimados' com atos em sua homenagem, organizados por diferentes lobistas, que tiveram que fazer verdadeiros malabarismos para atrair os políticos da capital sem violar as leis aprovadas em 2007 para reduzir os vínculos entre esses grupos e os congressistas.

E os que se "estressarem" com tanta festa poderão visitar o Oasis Huffington Post, um centro patrocinado pela conhecida empresária e blogueira Arianna Huffington que oferece aulas de ioga, massagens e aromaterapia.

No entanto, as coisas nem sempre foram assim.

Até a década de 1970, a escolha do candidato presidencial americano era feita freqüentemente no plenário da convenção após acalorados processos de negociação e votação que deixavam pouco tempo para as diversões noturnas.

Mas as convenções já não decidem o candidato presidencial, que é eleito nas urnas durante as eleições primárias e, com a exceção de alguns ativistas, ninguém presta muita atenção às plataformas políticas estipuladas de antemão.

O ano que marcou essa mudança foi 1972, quando a imprensa fez críticas após descobrir que os republicanos tinham planejado sua convenção minuto a minuto.

Os democratas optaram, naquele ano, por uma fórmula mais democrática e caótica, que levou o candidato presidencial do partido, George McGovern, a pronunciar seu discurso de aceitação bem no início da noite.

Desde então, os dois partidos políticos programam suas convenções com a precisão de um relógio suíço e tentam deixar pouco espaço para as surpresas.

O empate que durou vários meses de primárias entre os democratas Hillary Clinton e Barack Obama, o qual no final saiu vitorioso, fez com que houvesse a possibilidade de uma convenção aberta em Denver na qual os delegados tivessem que escolher o candidato à Casa Branca.

Os líderes do partido contemplaram a possibilidade com horror, o que demonstra a fobia que a espontaneidade do passado ainda gera.

EFE tb/bm/db

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