Convenção democrata começa sob o signo da unidade

A convenção nacional democrata começou nesta segunda-feira em Denver (Colorado, oeste dos EUA) sob o signo de uma unidade renovada, com Hillary Clinton conclamando seus partidários a apoiar Barack Obama.

AFP |

Às 15H00 (18H00 de Brasília), o presidente do partido, Howard Dean, abriu a 45ª convenção democrata, a primeira que deve oficializar a candidatura de um negro à presidência dos Estados Unidos.

"Durante esta convenção, vamos mostrar a todos os americanos que precisamos de Barack Obama e de Joe Biden na Casa Branca", declarou Dean durante o discurso de abertura.

Barack Obama, 47 anos, vai se dirigir na noite desta segunda-feira aos delegados via satélite a partir do estado de Missouri (centro dos EUA) depois do primeiro grande discurso da reunião, pronunciado por sua esposa Michelle no Pepsi Center, uma quadra poliesportiva gigante praticamente transformada em base militar e protegida por um forte contingente de policiais.

Duas personalidades históricas do partido, o ex-presidente Jimmy Carter e o senador Edward Kennedy também devem intervir nesta segunda-feira. Carter se expressará por meio de uma mensagem gravada, mas é provável que Kennedy, abalado por um câncer no cérebro, esteja presente.

Cerca de 50.000 pessoas convergiram para Denver, entre elas 4.200 delegados e 15.000 jornalistas, para participar do evento.

Os custos da convenção foram estimados em US$ 40,6 milhões. Um total de 25 mil pessoas se ofereceram como voluntários do evento e cerca de 15 mil jornalistas devem participar da cobertura.

Algumas horas antes do início da convenção, colaboradores de Obama e Hillary negaram qualquer desavença entre os dois. "A realidade é que nossas equipes trabalham juntas em prol do sucesso da convenção", afirmaram em um comunicado comum.

Eles reagiram a uma matéria publicada no site do jornal Politico segundo a qual os dois lados estariam trocando farpas antes do discurso que deve pronunciar o ex-presidente Bill Clinton quarta-feira em Denver.

Barack Obama, 47 anos, está seguro desde junho de obter a maioria dos 4.200 delegados, mas a questão era saber se os cerca de 2.000 delegados de Hillary iriam aproveitar a convenção para fazer um voto de protesto contra o senador de Illinois.

Apesar dos apelos à unidade, muitos eleitores ainda não se conformaram com o resultado das primárias, segundo uma pesquisa publicada nesta segunda-feira pelo jornal USA Today.

Se 47% das pessoas que votaram em Hillary durante as primárias afirmam apoiar incondicionalmente Obama, 23% dizem que o apóiam mas que ainda podem mudar de idéia. Além disso, 30% afirmam que não votarão nele em novembro, mesmo se for para escolher o republicano John McCain.

Obama começaria muito mal os dois últimos meses de campanha se a convenção democrata mostrasse ao país um partido dividido.

A equipe de campanha de McCain aproveita a situação para pôr lenha na fogueira posicionando-se publicamente ao lado de Hillary Clinton, preterida por Obama como candidata à vice-presidência (o escolhido foi o senador Joseph Biden). Um novo clipe eleitoral republicano divulgado nesta segunda-feira lembrou mais uma vez que a ex-primeira-dama criticou duramente a falta de experiência de Obama durante as primárias.

Hillary Clinton pronunciará terça-feira à noite um discurso em Denver.

O ponto alto do evento será o pronuncimento de Obama na quinta-feira ante 75.000 pessoas no estádio Invesco de Denver.

A convenção de Denver foi marcada já no domingo por manifestações de opositores a Obama, mas nenhum incidente foi registrado. O Pepsi Center foi praticamente transformado em campo militar, sobrevoado por helicópteros, cercado por barreiras, blocos de concreto e com um detector de metais na entrada.

Num momento em que McCain ainda deve anunciar seu companheiro de chapa, Obama tem uma vantagem de apenas quatro pontos percentuais (47% a 43%) sobre o candidato republicano, segundo o jornal USA Today.

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