Convenção democrata: busca por unidade posta à prova com Bill Clinton

DENVER - Os apelos pela unidade, que dominaram os discursos da Convenção Democrata, em Denver, devem encontrar sua consagração nesta quarta-feira com a designação oficial de Barack Obama como candidato à Casa Branca, mas será o discurso do ex-presidente Bill Clinton, esta noite, que dará a medida da união do partido.

AFP |

Ao designar oficialmente Obama, de 47 anos, como candidato à presidência, os democratas querem escrever uma página da História americana, permitindo, pela primeira vez, que um negro chegue à Casa Branca.

A questão que se colocava nesta quarta para vários observadores é saber se a unidade desejada e anunciada à exaustão pelos democratas é sólida, ou apenas de fachada.

Se quiser chegar à Casa Branca, Obama terá de conquistar, imperativamente, os 18 milhões de eleitores que votaram em Hillary Clinton nas primárias. Nessas condições, todos os olhares se voltam para o ex-presidente Bill Clinton e seu discurso, que será examinado em cada detalhe - pelos aliados, inimigos e pelos jornalistas.

Durante a campanha, Bill se mostrou extremamente crítico em relação ao senador por Illinois, e a imprensa americana garante até que ambos não "morrem de amores" um pelo outro.

Hoje, os jornais diziam que Bill Clinton não deverá assistir, amanhã, ao discurso de Obama, diante de 75.000 pessoas, no qual aceitará a candidatura.

O fato é que nenhum democrata conseguiu levar a Casa Branca desde Bill Clinton.

Foi no sentido da unidade que a senadora Hillary falou para as 20.000 pessoas reunidas no Pepsi Center, ontem à noite. "Barack Obama é meu candidato e deve ser nosso presidente", declarou.

"Quer tenham votado em mim, ou em Obama, chegou a hora de nos unirmos como um único partido com uma única proposta", defendeu Hillary, euforicamente recebida pela platéia.

Depois disso, a ex-adversária de Obama nas primárias enviou um e-mail aos correligionários para lhes pedir que votem nele.

"De pé aqui, esta noite, na frente de 20.000 democratas unidos em torno do senador Obama, eu vejo um brilhante futuro para a América", escreveu na mensagem, acrescentando que "vejo milhões de pessoas em todo o país trabalhando como um só para eleger o próximo presidente democrata".

Moses Ross, um delegado de Portland (Oregon) comentou que apoiará Obama, porque "Hillary Clinton me pediu".

"Estou triste que não estejamos aqui falando sobre sua disputa pela presidência, mas temos de atender a vontade dela", completou.

Apesar de todo o entusiasmo democrata, os republicanos observaram que, nem sequer uma única vez em seu discurso, Hillary disse que Obama tem as qualidades necessárias para ser comandante-em-chefe do país.

Hillary "nunca respondeu realmente à questão essencial: se ele (Obama) está pronto para ser presidente", avaliou nesta quarta o ex-presidente republicano de Nova York Rudolph Giuliani, em comentários para a FOX News.

Segundo Giuliani, "ela não respondeu à questão de sua inexperiência" e "não disse nada que tenha vindo do coração".

Esta quarta-feira será ainda a oportunidade de Joe Biden, escolhido como vice de Obama, de passar por seu grande teste. O senador por Delaware (leste), presente na convenção, mas inexpressivo desde segunda, fará hoje seu também esperado discurso.

Figura incontestável da cena política americana, aos 65 anos, Biden é um habitué dos grandes eventos. Presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, está na Casa desde 1972.

Embora sua experiência e competência alcancem uma certa unanimidade, tanto entre democratas quanto entre republicanos, muitas destacam que Biden também é, às vezes, propenso a cometer gafes, cujas conseqüências são, potencialmente, imprevisíveis.

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