Convenção abreviada por furacão pode beneficiar McCain

A notícia de que o furacão Gustav iria modificar radicalmente o programa da Convenção Nacional Republicana e possivelmente até mesmo provocar o adiamento do evento foi inicialmente saudada como uma bênção por alguns democratas. Em uma gafe de proporções quase tão destrutivas quanto os efeitos de Gustav, o ex-presidente do Comitê Nacional Democrata, Don Fowler, afirmou que o furacão parecia indicar que Deus estava ao lado dos democratas.

BBC Brasil |

Mas os fatos poderão provar exatamente o contrário.

O furacão acabou causando o cancelamento da participação do presidente George W. Bush e do vice Dick Cheney na convenção.

Diante dos baixíssimos índices de popularidade dos dois líderes, a notícia acabou sendo mais uma bênção do que um castigo para os republicanos e, em especial, para John McCain, que vem tentando se distanciar de Bush a fim de não comprometer suas chances nas urnas.

Em entrevista ao site noticioso Politico, um assessor republicano que não quis se identificar disse que a ausência de Bush fará com que o rival democrata de McCain, o senador Barack Obama, tenha de arquivar uma série de anúncios televisivos que provavelmente seriam criados contra McCain.

Liderança
Na visão de muitos republicanos, ao agir com rapidez em determinar que o evento mudasse do tradicional clima festivo para um tom solene e discreto, McCain também demonstrou liderança e poder de julgamento.

Fazer da convenção um evento para angariar fundos para as potenciais vítimas do furacão também foi uma jogada astuciosa.

Desta forma, os republicanos podem se distanciar da imagem de distantes ou indiferentes aos problemas que afligem o americano médio.

Essa fama acabou sendo reforçada após a forma como o presidente Bush respondeu ao furacão Katrina, em 2005, considerada pelos críticos como tendo sido lenta e de indiferença às vítimas mais pobres.

O próprio Bush também parece ter aprendido a lição. As ações de contenção do furacão Gustav têm sido saudadas por terem sido realizadas com antecipação e por terem sido mais bem coordenadas.

Delegados
Delegados republicanos de Louisiana, o Estado mais atingido pelo Katrina e o mais ameaçado pelo Gustav, dizem acreditar que as decisões tomadas pela liderança republicana e pelo presidente em relação à convenção foram apropriadas.

"Obviamente, o presidente Bush e o vice-presidente Cheney têm um trabalho mais importante a fazer agora", disse à BBC Brasil o delegado por Lousiana Michael Bayham. "E esse trabalho não é o de discursar em uma convenção."
Para Bayham, a convenção tem de prosseguir, mas a mudança de tom do evento foi um acerto. "A convenção precisa continuar, porque temos de oficializar a indicação de John McCain, mas a mensagem agora vai se concentrar nos esforços de auxílio, o que é bom."
Mas o estrategista republicano Frank Luntz diz que o furacão poderia ferir o partido, porque "lembra a todos do Katrina, que foi um desastre para o governo" e ainda representa uma distração em relação ao que seria discutido durante a convenção.

"(O furacão) não permite que eles divulguem uma mensagem oposta à de Obama porque eles estão concentrados com o furacão", afirma Luntz. "Os delegados estavam muito estimulados a respeito de Sarah Palin (a candidata a vice de McCain), mas agora eles não terão a chance de comemorar."
A filha de Palin
Sobre Sarah Palin, veio à tona nesta segunda-feira outra notícia que tem ou teria potencial de causar estragos aos republicanos: o anúncio de que a filha adolescente da companheira de chapa de McCain está grávida.

Sarah Palin é uma cristã devota, mãe de cinco filhos, contrária ao sexo antes do casamento e radicalmente oposta ao aborto.

Muitos delegados republicanos ouvidos pela BBC deram de ombros diante da notícia e a encararam mais como um sinal dos tempos do que como um potencial escândalo.

"Como avó de adolescentes, sei o quanto é difícil para a família", afirmou a delegada Mona Baley, do Texas. "Mas estou feliz de que eles irão ter o bebê."
"É um reflexo do que é a vida hoje em dia", comentou Craig Woldridge, de Oregon.

* Colaborou Jessica Gorman

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG