O controle do crescimento da população mundial pode ajudar no combate ao aquecimento global, afirma um relatório publicado nesta quarta-feira pelo Fundo da População das Nações Unidas (UNFPA).

O documento "O Estado da População 2009", de 104 páginas, ainda destaca a importância da criação de políticas para apoiar as mulheres que, segundo a ONU, estão entre as maiores vítimas dos efeitos do aquecimento global.

"As mulheres têm mais chances do que os homens de morrer em desastres naturais. E este fato é ainda mais gritante em regiões onde as rendas são menores e as diferenças entre os sexos são maiores", diz o relatório.

Até recentemente a ONU vinha resistindo em mencionar a relação entre população e mudanças climáticas.

"De fato, o medo de parecer estar apoiando o controle a população vinha, até bem pouco tempo, prevenindo a menção do termo 'população' no debate sobre o clima", diz o relatório.

"No entanto, alguns participantes deste debate agora estão tentados a incluir o impacto do crescimento da população."

Segundo o relatório, a problemática deve ser levada à mesa de negociações na cúpula da ONU sobre o clima em Copenhague, no mês que vem.

Cenários

Dados compilados pela ONU no relatório indicam que apesar de uma parcela pequena da população mundial - de cerca de 7% - ser responsável por 50% das emissões dos gases causadores do efeito estufa, o aumento demográfico contribui significativamente para o crescimento das emissões.

"Os cálculos da contribuição do crescimento demográfico no aumento das emissões produzem descobertas concretas de que o avanço da população no passado foi responsável por entre 40% a 60% do aumento das emissões", afirma o relatório.

A UNFPA descreve três possíveis cenários referentes ao crescimento da população mundial, estimada hoje em 6,8 bilhões de pessoas, até 2050.

O primeiro supõe que a Terra passará a abrigar 7,9 bilhões de pessoas. O segundo sugere que o planeta terá 9,1 bilhões de pessoas e, o terceiro, 10,4 bilhões.

Segundo as projeções do relatório, se o crescimento da população mundial corresponder ao primeiro cenário (7,9 bilhões) e não ao segundo (9,1 bilhões), as emissões de carbono serão bem menores, com 2 bilhões de toneladas de carbono a menos na atmosfera.

O relatório da ONU ainda aponta que o controle demográfico pode ter benefício duplo.

Primeiro, porque se ocorrer nos países ricos, o declínio ajudará a reduzir as emissões nessas nações, atualmente dez vezes maiores do que nos países pobres.

Além disso, pode ajudar as nações pobres com altas taxas de natalidade a se adaptar melhor aos impactos das mudanças climáticas.

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