Consumo de drogas sintéticas cresce no mundo, diz relatório da ONU

VIENA - O consumo de heroína e cocaína caiu ao redor do mundo, ao contrário do de drogas sintéticas, segundo o Relatório Mundial sobre Drogas 2009 apresentado, nesta quarta-feira, pelo Escritório das Nações Unidas para a Droga e o Crime (UNODC, em inglês).

EFE |


O documento, que analisa as tendências de produção, tráfico e consumo de drogas, também aponta um aumento na violência relacionada ao tema.

Apesar de reconhecer a dificuldade de obter dados precisos, o estudo estima que os mercados de opiáceos, cocaína e maconha estão diminuindo, inclusive nas regiões tradicionalmente mais consumidoras - Ásia, Europa e América do Norte, respectivamente.

A ONU diz que, em 2008, entre 140 e 250 milhões de pessoas de entre 15 e 64 anos consumiram alguma droga ilegal, embora essa cifra inclua muitos consumidores ocasionais.

Mudanças

A queda no uso de entorpecentes tradicionais se viu ofuscado com o aumento no consumo de drogas sintéticas, como o LSD e o ecstasy.

No último ano do qual existem dados, o de 2007, as apreensões deste tipo de entorpecentes somaram 51,6 toneladas, o número mais alto já registrado.

A maconha continua sendo a droga mais consumida, com entre 143 e 190 milhões de consumidores, especialmente na América do Norte e Europa Ocidental, embora recentes estudos apontem que seu uso, especialmente entre os mais jovens, venha caindo.

Apelo

À parte dos números de consumo, o relatório da ONU insiste na violência e na criminalidade ligada ao mundo das drogas.

Em sua introdução ao relatório, Antonio Maria Costa, diretor da UNODC, fala da luta pelo controle do mercado mundial de cocaína e dos US$ 50 bilhões gerados por este mercado.

"As apreensões (nos principais países consumidores) são baixas, os preços estão altos e os modelos de consumo oscilam. Isto pode explicar o espantoso aumento da violência em países como o México", escreve Costa.

No entanto, apesar de reconhecer que a repressão da produção e consumo de drogas criou um mercado negro que gera criminalidade, a UNODC insiste em que, para a instituição, a solução ao problema não passa por legalizar os entorpecentes.

Segundo a ONU, os entre 18 e 38 milhões de viciados em drogas que existem em todo o mundo "necessitam de ajuda médica, e não de um castigo penal". Por isso, pediu para que todos os países desenvolvam programas que permitam o acesso generalizado a tratamentos de reabilitação.



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