Consultoria vê superaquecimento no Brasil e sugere juros maiores

A forte recuperação da economia brasileira depois da crise poderá colocar o país em território de superaquecimento ainda este ano, o que pode levar a inflação a 6% até julho, avalia a agência de classificação de risco Moodys. Em relatório divulgado nesta quinta-feira, a instituição diz que o forte crescimento econômico, baseado principalmente no consumo interno, já está pressionando a inflação e as importações para cima.

BBC Brasil |

"Os estímulos fiscais agressivos adotados no ano passado, aliados a um estímulo monetário, impulsionaram o consumo doméstico como principal motor do crescimento", diz o texto.

Ainda de acordo com o relatório da Moody's, os sinais de "excesso" no consumo interno começaram a aparecer no quarto trimestre do ano passado.

"Desde o final do ano passado, a produção nacional não tem sido capaz de satisfazer a demanda doméstica".

O resultado, diz o texto, foi o aumento da inflação, que saiu de 4,3% em dezembro para 5,2% em março. Considerando esse cenário, a agência de risco prevê uma inflação de 6% até julho - muito próxima do teto da meta do governo, que é de 6,5%.

Juros
O documento sugere que o país faça um aperto monetário "logo", com aumento da taxa básica de juros, a Selic.

O assunto será discutido pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) na próxima quarta-feira.

"O BC deveria considerar um aumento de 0,5 a 0,75 ponto percentual na taxa Selic nesse encontro de abril", diz o relatório.

A previsão dos analistas brasileiros, segundo a pesquisa Focus, do Banco Central, é de uma elevação dos juros em 0,5 ponto percentual na próxima semana.

Para a Moody's, o Banco Central do Brasil deve manter o aperto ao longo do ano, chegando a dezembro com uma taxa básica de juros entre 10% e 11% ao ano.

O relatório reconhece que o aperto monetário trará alguns efeitos colaterais, entre eles uma possível valorização do real frente ao dólar, prejudicando as contas externas.

"O Banco Central poderia resolver esse dilema aumentando suas reservas, ao mesmo tempo em que adota medidas de esterilização monetária (retirada de moeda em circulação por meio de dívida)", diz a agência de risco.

FMI
A análise da Moody's coincide com a avaliação do Fundo Monetário Internacional (FMI), segundo a qual o Brasil estaria apresentando "sinais" de superaquecimento econômico.

O relatório World Economic Outlook, divulgado nesta quarta-feira, sugere que países como o Brasil "retirem" os estímulos fiscais para o consumo interno, que começaram a ser adotados no auge da crise.

"A retirada de políticas de estímulo precisa ser feita assim que riscos de superaquecimento doméstico (como no caso do Brasil) se tornem uma preocupação", afirma o documento.

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