Consultas políticas em Kinshasa se somam a esforço de paz na RDC

Kinshasa, 8 jan (EFE).- O enviado especial da ONU para a Região dos Grandes Lagos, o ex-presidente nigeriano Olusegun Obasanjo, e o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de Ruanda, general James Kabarebe, se reuniram hoje em Kinshasa com as autoridades da República Democrática do Congo (RDC).

EFE |

Obasanjo é o mediador das Nações Unidas nas conversas em Nairóbi com representantes do Governo congolês e do rebelde Congresso Nacional para a Defesa do Povo (CNDP).

Após suas consultas em Kinshasa, ele seguiu viagem para Kigali, a capital ruandesa, segundo fontes da Missão da ONU na RDC (MONUC).

Já a visita de Kabarebe foi acertada no encontro realizado em dezembro passado em Kigali entre os ministros da Defesa da RDC e Ruanda, Charles Mwando e Marcel Gatsinzi, respectivamente.

Kabarebe e seu colega congolês, Didier Etumba, também participaram daquela reunião, realizada no marco de uma iniciativa para normalizar as relações entre os dois vizinhos, inimigos durante a guerra de 1998 a 2003 na RDC.

No dia 5 de dezembro, os dois Governos assinaram um acordo militar para desarmar as Forças Democráticas para a Libertação de Ruanda (FDLR), compostas por soldados do antigo Exército ruandês e as milícias hutus responsáveis pelo genocídio de 1994 naquele país e que fugiram depois para o leste da RDC, onde ainda permanecem.

A presença dos guerrilheiros hutus na região da fronteira motivou a participação de Ruanda na guerra congolesa. O regime de Kinshasa acusa o de Kigali de estar fornecendo ajuda ao CNDP, que afirma, por sua parte, ter pegado em armas para defender a minoria tutsi congolesa dos ataques das FDLR.

O CNDP atravessa uma crise interna depois que seu chefe de Estado-Maior, o general Bosco Ntaganda, anunciou esta semana que tinha deposto o líder e comandante supremo do movimento, o general Laurent Nkunda.

No entanto, Nkunda e seus partidários afirmam de Rutshuru, quartel-general do CNDP na província de Kivu Norte, que não há qualquer mudança na cúpula dirigente e que Ntaganda deverá responder por seus atos a uma junta disciplinar do movimento rebelde.

Mesmo assim, a facção de Ntaganda insistiu hoje em que Nkunda deve aceitar sua cassação como líder do CNDP.

"Convidamos Laurent Nkunda a aceitar sua cassação e a cooperar com a nova liderança do CNDP", declarou o porta-voz de Ntaganda, Désiré Kamanzi.

Segundo a MONUC, Ntaganda manifestou ainda seu apoio ao acordo assinado em 5 de dezembro por Ruanda e a RDC, e disse que seu desejo é "combater os rebeldes hutus ruandeses junto aos exércitos ruandês e congolês". EFE py/mh

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