Construtoras do Brasil são maiores doadoras de candidato peruano

Doações destacam os crescentes vínculos Sul-Sul entre mercados emergentes e a perda de espaço dos EUA para o Brasil na região

Reuters |

AP
Ex-presidente do Peru Alejandro Toledo, atual candidato na corrida presidencial, fala durante coletiva em Lima em 27/01/2011
Construtoras brasileiras são as maiores doadoras da campanha presidencial do candidato líder das pesquisas Alejandro Toledo, revelaram documentos oficiais, num momento em que o Peru está construindo rodovias, portos e barragens ao custo de bilhões de dólares.

Três empresas, entre as quais a Camargo Correa e a Galvão Engenharia, deram ao ex-presidente um valor conjunto de 530 mil soles (US$ 190 mil) - valor que equivale a uma pequena fortuna no Peru -, de acordo com documentos da ONPE, a organização que regula as eleições no país.

Uma das empresas, a Queipuz Galvan, é uma unidade da Galvão, segundo relato da mídia peruana. Não foi possível obter declarações de representantes da Galvão em Lima ou da Camargo Correa no Brasil.

A lei peruana permite que empresas locais ou estrangeiras, geralmente por meio de suas unidades locais, façam doações a campanhas políticas.

As doações feitas pelas construtoras brasileiras destacam os crescentes vínculos "Sul-Sul" entre mercados emergentes. Nenhuma doação a qualquer um dos candidatos principais no Peru foi feita por uma firma dos Estados Unidos, que há muito tempo enxerga a América do Sul como seu quintal, mas agora está vendo sua hegemonia na região ser contestada pelo Brasil.

Durante sua presidência, de 2001 a 2006, Toledo foi arquiteto do pacto de livre comércio do Peru com os Estados Unidos. Ele também liderou a construção de uma nova rodovia transcontinental que sai do Brasil e atravessa o Peru, inaugurada no mês passado e parcialmente construída pela empresa brasileira Odebrecht.

Duas outras rotas transcontinentais estão sendo construídas, e nos últimos anos foram concedidas verbas de US$ 5 bilhões para projetos infraestruturais. Estão previstas mais concessões para obras energéticas e rodoviárias.

A Odebrecht anunciou que pretende investir US$ 10 bilhões em infraestrutura no Peru nos próximos cinco anos, mais que qualquer outra empresa estrangeira. A Odebrecht não foi listada como doadora de Toledo, segundo o órgão peruano de regulamentação eleitoral.

Toledo recebeu até agora 2,5 milhões de soles em doações, mais que qualquer outro candidato. Além das empresas brasileiras, quase todos os doadores de Toledo são pessoas físicas. Ele aplicou parte do dinheiro em uma campanha sofisticada de publicidade pela internet, algo que os outros candidatos não têm.

Ele é seguido na corrida do dinheiro pelo ex-prefeito de Lima Luis Castañeda, com 1,2 milhão de soles, o ultranacionalista de esquerda Ollanta Humala, com 1 milhão de soles, e a deputada Keiko Fujimori, com 547 mil soles.

As pesquisas de opinião indicam que Toledo não deve receber mais de metade dos votos, o que lhe garantiria uma vitória já no primeiro turno, em 10 de abril, mas que deve derrotar Castañeda ou Fujimori no segundo turno, em 5 de junho.

O ex-primeiro-ministro Pedro Pablo Kuczynski, que enriqueceu como banqueiro destacado em Wall Street, emergiu como maior doador isolado na campanha. Ele doou 432 mil soles à sua própria campanha para presidente e disse que vai vender sua casa de praia para ajudar a financiar sua candidatura.

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