Construção de muro para separar duas cidades gera polêmica na Argentina

O início da construção de um muro de 250 metros de comprimento para separar as cidades de San Isidro e San Fernando, na província de Buenos Aires, tem causado polêmica na Argentina. A instalação do paredão foi determinada pelo prefeito de San Isidro, Gustavo Posse, que argumenta que o muro vai aumentar a segurança em seu município.

BBC Brasil |

Segundo o prefeito, o muro servirá para barrar a entrada de criminosos nos bairros nobres de San Isidro.

"Cerca de 80% dos crimes cometidos em nossa cidade são de autoria de pessoas de outros municípios. Nossa cidade é muito segura, mas para que esta segurança seja mantida, precisamos destes corredores de segurança", afirmou Posse ao canal 13 de televisão.

O prefeito afirmou ainda que "dentro da lei, fará de tudo para proteger os moradores".

Polêmica
O início da construção do paredão fez com que a prefeitura da vizinha San Fernando entrasse com uma ação na justiça contra o muro.

Em declarações à imprensa argentina, o prefeito de San Fernando, Gerardo Amieiro, classificou o muro como "discriminatório" e "vergonhoso".

Amieiro também afirmou que "em vez de dividir, é preciso construir mais cidades".

Um grupo de jovens de San Fernando tentou arrancar a parte já construída, mas não obteve sucesso.

Os governos da Argentina e da Província de Buenos Aires também reagiram contra a medida, e solicitaram que o paredão não seja construído.

O chefe de Gabinete da Presidência argentina, Sergio Mazza, afirmou que "em vez de erguer muros, é preciso abrir estradas" e "evitar discriminações".

A secretária de Assuntos Municipais do Ministério do Interior, Raquel C. Kismer de Olmos, enviou uma carta ao prefeito de San Isidro solicitando que ele interrompa as obras.

"Trata-se de uma decisão incorreta, que atenta contra a democracia, a Constituição nacional e a convivência", afirmou.

Segundo ela, a construção é baseada "em um suposto sentimento de segurança dificilmente comprovável".

Por sua vez, o governador de Buenos Aires, Daniel Scioli, classificou o muro como um "erro" e "símbolo da discriminação".

Ao saber das afirmações do governador, o prefeito de San Isidro afirmou que o paredão é uma resposta ao fato de o governo da Província não conseguir garantir a segurança na região.

Mesmo com a polêmica, o prefeito de San Isidro reiterou que não pretende interromper as obras.

Rio de Janeiro
A situação levou a emissora de televisão TN(Todo Notícias) a comparar a polêmica com os muros que começaram a ser erguidos em favelas cariocas pelo governo do Estado do Rio de Janeiro.

Na metade da tela, o canal de TV exibiu imagens do Rio de Janeiro, enquanto a outra metade mostrava o muro branco de San Isidro pichado com frases como "somos iguais" e "ditador sangrento".

As localidades de San Isidro e San Fernando, no norte de Buenos Aires, concentram residentes de alto poder aquisitivo.

Porém, as duas cidades também possuem bairros sem saneamento básico e com altos índices de pobreza.

O muro, de 250 metros, foi planejado, segundo a imprensa local, para aumentar a segurança do bairro de classe alta La Horqueta, em San Isidro, e para evitar que os moradores do bairro carente de Villa Jardín, em San Fernando, caminhem no local.

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