Conservadores voltam ao poder com 1º coalizão em 70 anos no R.Unido

Fernando Puchol. Londres, 11 mai (EFE).

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Fernando Puchol. Londres, 11 mai (EFE).- O Partido Conservador britânico voltou hoje ao poder após 13 anos na oposição, com David Cameron como primeiro-ministro e com o apoio político do Partido Liberal-Democrata, no que será o primeiro Governo de coalizão do Reino Unido desde a Segunda Guerra Mundial. David Cameron, que aos 43 anos é o chefe de Governo britânico mais jovem desde princípios do século XIX, foi nomeado pela rainha Elizabeth II oficialmente como primeiro-ministro em um breve encontro no Palácio de Buckingham. Antes de entrar no número 10 de Downing Street já como premiê e em companhia da mulher, grávida de cinco meses, Cameron fez uma breve declaração, que começou com um agradecimento ao antecessor, o trabalhista Gordon Brown. No melhor estilo fair play britânico e após uma campanha eleitoral e eleições de alta carga emocional, Cameron admitiu que, após 13 anos de Governos trabalhistas, o Reino Unido é agora "mais aberto em casa e mais compassivo fora". Sobre o Governo de coalizão que formará com o Partido Liberal-Democrata, de Nick Clegg, o que lhe permitirá ter a maioria parlamentar que não conseguiu nas urnas no dia 6, o novo primeiro-ministro já disse que enfrentará problemas sérios. Suas primeiras palavras como chefe do Governo foram para destacar a necessidade de enfrentar com urgência "um déficit enorme, sérios problemas sociais e um sistema político que deve ser reformado" "Por essas razões, minha intenção é formar uma sólida coalizão entre os conservadores e os liberal-democratas. Acho que é a maneira correta de dar a esse país o Governo sólido, estável, bom e decente que acho que precisamos com urgência", afirmou. Sem dar detalhes sobre os termos do acordo político com os liberal-democratas, o primeiro-ministro assegurou que tanto ele como Clegg são líderes políticos que querem deixar de lado as diferenças de partido e trabalhar duro pelo bem comum. Em um tom mais solene, declarou que decidiu entrar na política por amor ao Reino Unido e tentou lançar uma mensagem de otimismo, afirmando que haverá dias melhores pela frente. Cameron prometeu que seu Governo sempre cuidará dos "mais velhos, dos frágeis e dos mais pobres, e que desenvolverá o trabalho a partir "dos valores de liberdade, justiça e responsabilidade". Foi a declaração de um primeiro-ministro que enfrenta a difícil tarefa de consolidar a recuperação econômica britânica e de aplicar os cortes nos gastos públicos que defendeu durante a campanha eleitoral e que podem tornar o novo Governo altamente impopular, porque serão muitos os setores afetados. À frente da política econômica, segundo as primeiras informações, estará George Osborne, até agora responsável econômico dos tories e estreito colaborador de Cameron, que será o encarregado de iniciar um primeiro corte de 6 bilhões de libras (7 bilhões de euros) este mesmo ano. A luta contra o déficit, que em 2010 alcançará 178 bilhões de libras (210 bilhões de euros), é o elemento central do pacto de conservadores e liberal-democratas, junto à reforma do sistema eleitoral reivindicado por estes últimos, que defendem um sistema mais representativo do voto popular. Esta é a maior concessão dos tories na negociação para poder voltar ao Governo, já que os conservadores são partidários de manter o sistema de voto majoritário e uninominal atual, e o máximo a que se comprometeram é a propiciar um plebiscito que permita aos britânicos se pronunciar sobre a reforma. O dia teve também uma grande carga simbólica com a saída de Brown de Downing Street. A mudança representa o fim de uma era, iniciada em 1997 com a chegada de Tony Blair ao poder empurrado pelo Novo Trabalhismo, época que mudou a cara do Reino Unido. Com a voz tremida, Brown se despediu afirmando que foi "um privilégio" ser primeiro-ministro e que fez o possível para tornar o Reino Unido "mais tolerante, ecológico, democrático, próspero e justo". Brown defendeu seu trabalho como primeiro-ministro em um contexto econômico muito difícil. "Sempre quis fazer o melhor para o interesse do Reino Unido, de seus valores e de sua gente", completou. Após apresentar sua renúncia à rainha, se reuniu com militantes trabalhistas para anunciar que Harriet Harman, até agora o segundo na hierarquia do partido, assumirá provisoriamente a liderança da legenda até a designação de um novo nome. São vários os potenciais candidatos, entre os que se destacam o chanceler, David Miliband, seu irmão e ministro da Energia, Ed Miliband, o ministro da Educação, Ed Balls, e o deputado da ala esquerda do partido Jon Cruddas. EFE fpb/rr

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