A Grã-Bretanha acordou nesta sexta-feira, pela primeira vez desde 1974, com um Parlamento sem maioria absoluta, após a vitória dos conservadores de David Cameron, mas sem o número de cadeiras necessárias para desalojar imediatamente os trabalhistas de Gordon Brown de Downing Street." /

A Grã-Bretanha acordou nesta sexta-feira, pela primeira vez desde 1974, com um Parlamento sem maioria absoluta, após a vitória dos conservadores de David Cameron, mas sem o número de cadeiras necessárias para desalojar imediatamente os trabalhistas de Gordon Brown de Downing Street." /

Conservadores vencem, mas não têm maioria absoluta na Grã-Bretanha

A Grã-Bretanha acordou nesta sexta-feira, pela primeira vez desde 1974, com um Parlamento sem maioria absoluta, após a vitória dos conservadores de David Cameron, mas sem o número de cadeiras necessárias para desalojar imediatamente os trabalhistas de Gordon Brown de Downing Street.

AFP |

A Grã-Bretanha acordou nesta sexta-feira, pela primeira vez desde 1974, com um Parlamento sem maioria absoluta, após a vitória dos conservadores de David Cameron, mas sem o número de cadeiras necessárias para desalojar imediatamente os trabalhistas de Gordon Brown de Downing Street.

Como o Partido Conservador não conseguiu obter maioria absoluta nas eleições legislativas de quinta-feira, não pode pretender formar automaticamente um governo, de acordo com os resultados oficiais de 626 das 650 circunscrições.

Segundo os resultados parciais, com 24 circunscrições ainda indefinidas, os 'Tories' têm 294 deputados na Câmara dos Comuns e conseguirão chegar à maioria absoluta de 326 das 650 cadeiras da Câmara Baixa do Parlamento.

Depois de 13 anos no poder, os trabalhistas do desgastado primeiro-ministro Gordon Brown totalizam 252 representantes, mas não esconderam a intenção de tentar permanece no governo por meio de uma coalizão com os liberais-democratas de Nick Clegg, terceira força política com 54 cadeiras.

Outros partidos e candidatos independentes somam 27 representantes.

O Partido conservador já tinha certeza de obter o maior número de deputados, mas ainda tinha a esperança de conseguir a maioria absoluta.

Os resultados mostram que os conservadores receberam 36,1% dos votos, superando assim na Câmara Baixa do Parlamento de Westminster o Partido Trabalhista, que está no poder desde 1997, que recebeu mais de 29% dos votos.

O Liberal-Democrata superou 22%.

Os resultados definitivos serão divulgados à tarde, mas em uma das circunscrições, Thirsk and Malton, noroeste da Inglaterra, a eleição foi adiada para 27 de maio após a morte de um candidato.

Apesar do anúncio dos trabalhistas de que pretendem conservar o poder por meio de uma coalizão com os 'lib-dem', Nick Clegg afirmou nesta sexta-feira que os conservadores têm prioridade para tentar formar o governo.

"Eu disse que o partido que conseguisse mais votos e mais cadeiras, no caso de não obter maioria absoluta, teria o direito de buscar primeiro o governo, seja por conta própria ou procurando os outros partidos. E eu continuo com este ponto de vista", declarou Clegg.

"Parece esta manhã que que é o Partido Conservador que tem mais votos e mais cadeiras, apesar de não ter maioria absoluta", disse.

As declarações de Clegg, que apesar do resultado decepcionante pode ter a chave do próximo governo, parecem descartar no momento a possibilidade de uma aliança do partido com os trabalhistas.

"As regras são que no caso de um 'hung parliament' não é o partido com o maior número de cadeiras que tem prioridade, e sim o governo atual", destacou à BBC o influente ministro do Comércio, Peter Mandelson.

Segundo a convenção constitucional britânica, o atual primeiro-ministro, neste caso Gordon Brown, 59 anos, pode deixar o governo ou permanecer no poder para tentar formar um governo e submetê-lo a uma votação de confiança no Parlamento.

Brown reiterou nesta sexta-feira que o "dever como primeiro-ministro é dar todos os passos para garantir que a Grã-Bretanha tenah um governo forte, estável e de princípios".

O processo de negociação para a formação de um governo deve ser longo e complicado. Da última vez que o país teve um parlamento sem maioria, em 1974 e em um contexto de crise econômica, foram convocadas novas eleições em poucos meses.

Esta incerteza sobre o futuro começou a afetar a economia, no momento em que a Grã-Bretanha se recupera com dificuldades da recessão mais grave desde os anos 1930. A libra esterlina chegou a ser negociada nesta sexta-feira ao menor nível em mais de 12 meses na comparação com o dólar e também foi desvalorizada em relação ao euro, enquanto a Bolsa de Londres estava em baixa.

A eleição, que teve índice de participação de 65%, superior à de 2005, também foi marcada por problemas em locais de votação, com pessoas que não votaram pelas longas filas ou por falta de cédulas.

Outro fato importante da votação foi o de que o Partido Verde britânico conseguiu entrar para o Parlamento graças à vitória da líder da formação, Caroline Lucas, no distrito de Brighton Pavilion (sul da Inglaterra).

Os ecologistas têm deputados em muitos Parlamentos da Europa, mas os Verdes britânicos ainda não haviam conseguido entrar na Câmara dos Comuns em consequência de um sistema eleitoral que favorece os grandes partidos.

elm/fp

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG