Conservadores propõem a liberais Governo de coalizão no R.Unido

Londres, 10 mai (EFE).- Os conservadores britânicos propuseram hoje aos liberal-democratas um "Governo de coalizão", que abordaria a reforma do sistema eleitoral em um plebiscito, anunciou hoje o responsável de Exteriores dos "tories", William Hague.

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Londres, 10 mai (EFE).- Os conservadores britânicos propuseram hoje aos liberal-democratas um "Governo de coalizão", que abordaria a reforma do sistema eleitoral em um plebiscito, anunciou hoje o responsável de Exteriores dos "tories", William Hague. "Estamos dispostos a fazer um esforço extra", disse Hague, em declarações em frente ao Parlamento britânico, duas horas depois do primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, anunciar sua renúncia como líder do Partido Trabalhista, para facilitar um acordo com o Partido Liberal Democrata de Nick Clegg. Os liberaldemocratas manterão negociações paralelas com o Partido Conservador de David Cameron e o Partido Trabalhista para a formação de um novo Governo depois que s eleições desta quinta-feira não terminaram com uma maioria absoluta no Parlamento. Uma consulta cidadã sobre a reforma da lei eleitoral para ter um sistema de representação proporcional é a principal exigência do partido de Clegg para apoiar um futuro Executivo. "Claramente a situação mudou agora de alguma maneira", disse Hague, um dos membros da equipe negociadora "tory", que reconheceu que os liberaldemocratas foram claros quando disseram que "só aceitarão um acordo do Governo de coalizão com um partido que mude nosso sistema eleitoral". Por isso, e embora os "tories" consideram que a prioridade é "a situação financeira, a redução do déficit e a melhora da educação", Hague assinalou que "o interesse nacional nos leva a fazer um esforço extra para pactuar com o partido de Clegg". "Oferecemos um Governo de coalizão aos liberaldemocratas e a realização de um plebiscito sobre o sistema alternativo de votação para que o povo deste país possa decidir", explicou o parlamentar conservador. Em meio à incerteza gerada pela ausência de uma maioria absoluta - situação que não ocorre desde 1974 -, Hague disse que os liberaldemocratas "têm que tomar uma decisão urgente" sobre quem pensam em respaldar. A opção do Partido Trabalhista, segundo Hague, é a de "um Governo que não será estável nem seguro, porque irá depender de outros partidos menores para uma maioria parlamentar, e terá, pela segunda vez consecutiva, um primeiro-ministro não eleito". As cadeiras conseguidas pelos trabalhistas e liberaldemocratas juntas somam 315 (258 dos primeiros), o que lhes deixa com 11 deputados da maioria absoluta, por isso que precisam dos nacionalistas escoceses, galeses e norte-irlandeses. Os "tories" conseguiram 306 deputados, por isso que uma coalizão com os liberaldemocratas lhes deixaria 37 cadeiras acima da maioria absoluta o que garantiria uma legislatura estável. A direção conservadora se mobilizou com rapidez depois que Gordon Brown anunciou que sacrificará sua carreira política para evitar um Governo conservador. "A razão pela que temos um 'Parlamento pendurado' (sem maioria absoluta) é que nenhum partido nem nenhum líder foi capaz de conseguir o apoio pleno do país", disse o primeiro-ministro, que anunciou que pedirá a seu partido que inicie o processo de transição. O primeiro-ministro expressou sua confiança de que este processo "será completado a tempo para que o novo líder esteja no cargo a tempo do Congresso do Partido Trabalhista (no final do mês de setembro)" e acrescentou: "não participarei dessa eleição e não apoiarei nenhum candidato em particular". Brown informou também que Clegg expressou sua intenção de entabular "negociações formais" com o trabalhismo para tratar de encontrar pontos em comum, contatos que devem começar esta noite. Segundo fontes citadas pela "BBC", a oferta trabalhista incluiria um Governo comprometido em esgotar a legislatura sem Brown como primeiro-ministro, algo que foi uma das principais exigências liberaldemocratas da campanha no caso de uma derrota trabalhista. Em uma primeira avaliação da decisão de Brown, Clegg declarou que era um passo na boa direção e expressou seu desejo de ter "a transição suave rumo ao Governo estável que o povo merece". "Ninguém pode prever qual será o resultado de nossas conversas com o partido trabalhista", acrescentou. EFE fpb/pb

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