Conservadores na Indonésia querem proibir candidatos adúlteros

Juan Palop. Jacarta, 23 abr (EFE).- As autoridades da Indonésia cogitam proibir que adúlteros sejam candidatos às eleições, em um momento em que os partidos políticos apostam em celebridades para ganhar votos.

EFE |

A conservadora Indonésia, lar de mais de 200 milhões de muçulmanos (em uma população de 230 milhões), realizará eleições em 224 municípios e distritos no final de ano.

"Os requisitos legais para os candidatos (inclusive na lei eleitoral de 2004) não são suficientes. Deve-se acrescentar uma proibição contra aqueles que cometeram adultério", afirmou o ministro do Interior indonésio, Gamawan Fawzi.

"Se for constatado o adultério, serão impedidos de participar do pleito", acrescentou o ministro, sem mencionar ninguém em particular.

Apesar da omissão de nomes, muitos indonésios têm em mente alguns famosos tentados pela política e cujas vidas sentimentais seriam certamente alvo da proposta.

"(A medida) está dirigida a mim. Não é justo. Vivemos na era da democracia. Todo mundo tem direito a se tornar político", manifestou a polêmica atriz Julia Perez, em declarações a "The Jakarta Globe".

Perez, conhecida pelo corpo sensual e por ser garota-propaganda de uma marca local de preservativos, ganhou fama após posar para a capa das revistas masculinas "Maxim" e "FHM".

Outra celebridade que se sentiu prejudicada foi a cantora de música tradicional Maria Eva, conhecida por protagonizar um vídeo obsceno com um parlamentar em 2006.

"Que tipo de adultério? Adultério dos olhos? Ou do corpo? Todo mundo cometeu adultério", criticou Eva, que chamou o ministro de "ingênuo".

Gamawan Fawzi, que declarou "guerra ao pecado" quando foi governador de Sumatra Setentrional (2005-2009), ressaltou que o Executivo também analisa a possibilidade de incluir a "experiência em trabalhos de gestão pública" como requisito para as candidaturas, o que também deixaria as celebridades fora de jogo.

Julia Perez criticou a falta de credenciais políticas quando afirmou estar aprendendo os princípios das tarefas de Governo através "da televisão e dos jornais".

De fato, a atriz nem sequer conhece Pacitan, a regência (distrito) da província de Java pela qual deseja se candidatar e que, para aumentar a polêmica, é a terra natal do presidente indonésio, Susilo Bambang Yudhoyono.

Os setores mais conservadores do país, entre os quais se destaca o poderoso Conselho de Ulemás da Indonésia (MUI), expressaram apoio à proposta do ministro.

Segundo os analistas, a falta de cultura política na Indonésia induziu vários partidos a filiarem rostos famosos de humoristas, atrizes e cantores para atrair os eleitores menos interessados em programas políticos e ideológicos.

"Colocar famosos na política é tão absurdo como fazer os políticos dançar", opinou o articulista Armando Siahaan no jornal "The Jakarta Globe".

No entanto, não são poucos os políticos da Indonésia que fizeram seus shows particulares no mundo da arte.

O presidente do país publicou este ano seu terceiro álbum musical, "Ku Yakin Sampai Disana" ("Com certeza chegarei até lá"), que inclui nove músicas escritas por ele interpretadas por conhecidos músicos e três vencedores do bem-sucedido concurso de caça-talentos "Indonesian Idol".

O general Wiranto, ex-chefe das Forças Armadas e candidato a vice-presidente nas eleições do ano passado, também não se contém quando canta ao vivo algumas das canções de "Para ti, minha bela Indonésia", o disco que lançou em 2004. EFE jpm/sa-dm

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