Conservadores fortalecidos na UE após eleições contra esquerda debilitada

Os conservadores revalidaram neste domingo sua maioria no Parlamento Europeu, disputando com uma esquerda cambaleante uma eleição europeia marcada pelo auge do euroeceticismo em alguns países e por uma abstenção recorde dos eleitores de todas as nacionalidades.

AFP |

A direita, que no pleito de 2004 já havia conquistado a maioria na Eurocâmara, se impôs sem sobressaltos na Alemanha, França e Itália, ao mesmo tempo em que derrotou a esquerda no poder na Espanha, Áustria e Portugal, segundo os primeiros resultados parciais apurados neste domingo.

Ao término de quatro dias de votação nos 27 países da União Europeia (UE), a esquerda, minoritária em um continente claramente dominado por governos conservadores, confirmou seus piores temores, com uma clara derrota que pode se acentuar ainda mais com o resultado das eleições britânicas, que ainda não foi divulgado.

Na próxima legislatura, o Partido Popular Europeu (PPE) terá entre 267 e 271 cadeiras, à frente dos socialistas (157 a 161 cadeiras), de acordo com os últimos resultados parciais divulgados pelo Europarlamento em Bruxelas.

Na legislatura que termina, formada por um número maior de assentos, (785), os conservadores contavam com 288 lugares, e os socialistas, 217.

Em terceiro lugar, a aliança de liberal-democrata deve obter entre 80 e 82 cadeiras (contra 100 na legislatura anterior), seguidos pelos Verdes, com 54 (contra 43).

As eleições europeias deste ano foram marcadas pela apatia do eleitorado, descontente com a falta de respostas da UE para a crise econômica. A taxa de abstenção registrou um novo recorde, atingindo 56,61%, segundo dados provisórios.

No pleito de 2004, 54,6% dos europeus preferiram não ir às urnas.

O atual presidente do Parlamento Europeu, o alemão Hans-Gert Poettering, estimou que o baixo percentual de participação obriga "os partidos políticos e a imprensa a examinar formas de melhorar a maneira" de transmitir a importância da câmara. A próxima legislatura poderá se tornar a mais poderosa da história do bloco, se antes do fim do ano for finalmente ratificado o Tratado de Lisboa.

Na Alemanha, o maior país do UE, com 99 eurodeputados, os conservadores da chanceler Angela Merkel venceram com folga os social-democratas.

Em outro grande país europeu, a França, com 72 deputados, a direita do presidente Nicolas Sarkozy também triunfou, contra uma oposição fraca e fragmentada.

O chefe do governo italiano, Silvio Berlusconi, único líder de um grande país europeu a se apresentar como cabeça da lista de seu partido, afundado até o pescoço em escândalos sexuais e judiciais, venceria com 39% dos votos, segundo projeções de boca de urna.

Em situação oposta, na Espanha, o conservador Partido Popular, na oposição, derrotou os socialistas do chefe do governo José Luis Rodríguez Zapatero, com 42,03% dos votos, contra 38,66% da formação governista, apuradas quase 90% das urnas no país.

As pesquisas também mostram que a direita está na frente na Grã-Bretanha, onde os trabalhistas do enfraquecido primeiro-ministro Gordon Brown devem sofrerer um novo revés depois da derrota nas eleições locais.

Uma sondagem da rede BBC apontou que os trabalhistas ficarão relegados a um humilhante terceiro lugar, com apenas 16% dos votos, atrás dos conservadores (27%) e do partido anti-UE Ukip (17%).

O Partido Socialista do primeiro-ministro português, José Sócrates, amargou uma inesperada derrota contra o Partido Social-Democrata (PSD, direita).

O partido conservador austríaco, na oposição, também venceu as eleições, derrotando os social-democratas no poder, de acordo com os primeiros resultados oficiais.

Na Bulgária, Hungria e Eslovênia, a vitória também ficou com partidos conservadores.

Grécia, Dinamarca, Suécia, Eslováquia e Malta aparecem como os únicos países a votar majoritariamente na esquerda.

Segundo analistas, os socialistas deixaram escapar durante a campanha uma oportunidade de ouro de capitalizar a luta contra a crise econômica e se colocar como uma defensora do emprego e do bem-estar social em oposição ao liberalismo e os excessos do sistema financeiro.

Por outro lado, a crise e o desencanto com a UE manifestado por uma parte significativa da opinião pública beneficiou alguns partidos eurocéticos radicais.

É, por exemplo, o caso da formação austríaca do euroecético Hans-Peter Martin, que obteve quase 18% dos votos, e do ultradireitista e islamófobo Partido da Liberdade, na Holanda, que conseguiu 17% dos votos.

Os euroecéticos do partido Verdadeiros Finlandeses também deram um salto importante na Finlândia, com 10% dos votos, segundo resultados parciais.

app/ap

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