Conservador John Bercow é novo presidente da Câmara dos Comuns

Londres, 22 jun (EFE).- O conservador John Bercow foi eleito hoje como novo presidente da Câmara dos Comuns britânica, no lugar de Michael Martin, que renunciou em maio, por causa do escândalo sobre o abuso de despesas parlamentares.

EFE |

Depois de três votações secretas realizadas durante mais de seis horas, Bercow, de 46 anos, venceu na última rodada o também conservador George Young, de 67 anos.

Bercow teve 322 votos, enquanto o outro candidato recebeu 271.

O vencedor, primeiro judeu a ocupar este prestigioso cargo, era o favorito e venceu as eleições contra nove candidatos, entre eles Margaret Beckett, ex-ministra de Assuntos Exteriores trabalhista.

Aplaudido por uma Câmara dos Comuns lotada, Bercow foi "levado com desgosto" até a cadeira do "Speaker", nome dado ao presidente da Câmara no Reino Unido.

"Precisamos reformar (a Câmara dos Comuns)", disse o novo presidente, durante sua posse. Ele prometeu imparcialidade e ressaltou que "a grande maioria dos membros desta Câmara são pessoas honradas, decentes e honoráveis".

Tanto o primeiro-ministro do Reino Unido, o trabalhista Gordon Brown, quanto os líderes dos principais partidos da oposição, o conservador David Cameron e o liberal-democrata Nick Clegg, cumprimentaram o novo "Speaker".

Segundo Brown, a eleição do novo presidente dos Comuns representa um "passo importante" no "processo de mudança" necessário na Câmara.

Casado e pai de três filhos, Bercow, considerado um modernizador, tem pela frente o desafio de restabelecer a confiança da cidadania no Parlamento, muito desprestigiado pelo escândalo de abusos do dinheiro público pelos deputados.

O novo "Speaker", que chegou ao Parlamento em 1997, começou sua carreira como membro da ala mais radical dos "tories", apesar de ter se modernizado tanto com os anos, que alguns correligionários chegaram a suspeitar ele que pudesse passar a atuar junto ao Partido Trabalhista.

Agora, o novo presidente dos Comuns deverá ser imparcial e cumprir as tarefas de supervisionar a administração da Câmara e manter a ordem nas sessões parlamentares, especialmente as das quartas-feiras, dedicadas a perguntas ao primeiro-ministro.

A votação foi concluída hoje, depois da efetivação da renúncia do parlamentar trabalhista Michael Martin no domingo.

Martin foi o primeiro presidente da Câmara dos Comuns forçado a renunciar em mais de 300 anos, por sua questionada gestão, por causa do escândalo envolvendo deputados e o desafio de uma série de parlamentares, que exigiram abertamente sua renúncia.

O escândalo dos abusos foi divulgado no dia 8 de maio, pelo jornal "The Daily Telegraph", que desde então publica revelações sobre despesas e reivindicações de dinheiro indevidas de deputados de todos os partidos. EFE pa/pd

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